Há histórias que se confundem com a do próprio país, e essa é uma delas. Em 2026 a Honda CG completa 50 anos — a mesma moto que inaugurou a fábrica de Manaus, no Amazonas, em 4 de novembro de 1976. Fábrica e moto nasceram praticamente no mesmo fôlego, e meio século de produção ininterrupta é coisa rara na indústria brasileira. Não é aniversário de marketing: é a trajetória de um produto que virou parâmetro de mobilidade no Brasil.
A origem explica muita coisa. Com a proibição das importações em 1975, a Honda decidiu fabricar por aqui e escolheu a Zona Franca de Manaus, aproveitando os benefícios fiscais. A primeira moto nacional foi a CG 125, derivada da japonesa CB 125S, mas reforçada para encarar as estradas precárias da época, e o lançamento de 1976 teve Pelé como garoto-propaganda. A planta que começou pequena não parou de crescer: saiu de 9,7 mil m² na inauguração para 311,6 mil m² hoje, 32 vezes maior.
Os números dão a dimensão do fenômeno. Foram dez gerações de CG e mais de 15 milhões de unidades saídas das linhas de Manaus, o que faz dela o veículo motorizado de maior volume de fabricação na história do Brasil. O sobrenome Titan, hoje quase indissociável do modelo, só entrou em cena em 1994. A CG resistiu a modismos, crises e concorrência porque sempre entregou o que prometia: moto barata de rodar, fácil de consertar e com revenda garantida. No Brasil, isso vale mais do que qualquer ficha técnica.
Para marcar a data, a Honda apostou no óbvio — e acertou. A CG 160 Titan 50 Anos Special Edition foi apresentada em 9 de janeiro de 2026, a R$ 20.976 sem frete, com base no estado de São Paulo. Vem em vermelho metálico com grafismos exclusivos e a inscrição “50 Anos” no tanque e nas aletas, garantia de três anos e óleo Pro Honda grátis em sete revisões. É uma edição mais de identidade do que de mecânica, e tudo bem: o valor aqui está no símbolo. Cinquenta anos depois, a CG segue liderando vendas no país — prova de que, às vezes, o melhor negócio é não estragar o que já funciona.













