Mercado de motos tem ano recorde, mas maio interrompeu o embalo.

O mercado brasileiro vive ano recorde: 980 mil motos emplacadas de janeiro a maio, alta de 15,3%. Mas maio recuou 6,16% ante abril. A Honda segue dominando com a CG 160 na liderança, enquanto a CFMoto já desponta entre as fabricantes.

Brasil | Indústria

O acumulado de 2026 confirma a melhor fase recente do setor de duas rodas no país. Segundo a Abraciclo, foram 980.095 motos emplacadas entre janeiro e maio, recorde histórico para o período e alta de 15,3% sobre 2025. A produção subiu 10,1% no mesmo intervalo, ritmo menor que o do varejo — ou seja, a demanda está engolindo o que sai de Manaus quase no mesmo passo em que é fabricado.

O mês isolado, porém, pede um freio na empolgação. Pelo levantamento da Fenabrave, maio fechou com 197.685 unidades, queda de 6,16% em relação a abril. É recuo pontual dentro de um ano forte, mas merece registro, e vale separar a foto do mês do filme do ano. Aqui cabe uma ressalva metodológica que evita confusão: Abraciclo e Fenabrave medem por critérios distintos, então o número mensal e o acumulado não conversam diretamente — não é contradição, é fonte diferente.

No topo da lista, nenhuma surpresa, e talvez esse seja o dado mais revelador. A Honda fechou maio com 66,66% de participação, e a CG 160 liderou isolada, com 45.363 unidades emplacadas. Um mercado que cresce com essa concentração mostra fôlego de demanda, mas também o quanto o varejo brasileiro ainda gira em torno de poucos modelos de trabalho e baixa cilindrada.

A movimentação mais interessante está nas bordas, e é o que vale acompanhar no segundo semestre. A CFMoto, mesmo vendendo só dois dias no mês, já apareceu em 21º entre as fabricantes — pouco em volume, mas um recado claro de intenção. Com chinesas e indianas ampliando rede e linha, a briga nas médias cilindradas tende a esquentar, e a leitura é de que 2026 fecha grande no acumulado, ainda que com solavancos mês a mês pelo caminho.

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