Ducati faz 100 anos: O centenário será celebrado em Misano no World Ducati Week 2026.

A Ducati completa 100 anos em 4 de julho de 2026, e celebra o centenário no World Ducati Week, em Misano, de 3 a 5 de julho. Da fabricação de componentes de rádio em 1926 à condição de lenda das pistas, a marca italiana reúne campeões, lendas e milhares de fãs num fim de semana histórico.

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Um século que começou longe das motos

Poucas histórias no motociclismo carregam o peso de um centenário, e a da Ducati é dessas que merecem ser contadas com calma. A marca de Borgo Panigale completa 100 anos em 2026, contados a partir de 4 de julho de 1926, dia em que nasceu em Bolonha o que viria a mudar o mundo das duas rodas. O detalhe que quase ninguém imagina é que, no começo, não havia moto nenhuma. A empresa foi fundada pelos irmãos Ducati — Adriano, Bruno e Marcello — como Società Scientifica Radio Brevetti Ducati, para produzir componentes de rádio, e seu primeiro produto foi o condensador Manens.

A guinada veio do pós-guerra. A fábrica de Borgo Panigale foi destruída por bombardeios em 1944, e foi em 1946 que a Ducati deu o primeiro passo sobre duas rodas com o Cucciolo, um pequeno motor auxiliar para bicicletas. O sucesso foi extraordinário — mais de 200 mil unidades vendidas pelo mundo — e ali nascia a vocação que definiria a marca para sempre.

O DNA que virou lenda

Se há um nome que transformou a Ducati em mito de engenharia, é o de um homem. Fabio Taglioni, projetista-chefe que assinou os motores da marca entre os anos 1950 e 1980, adaptou às motos o sistema desmodrômico de comando de válvulas, e a Desmo conquistou seu primeiro GP na Suécia, em 1956. O comando desmodrômico, que permitia girar mais alto sem quebrar, virou assinatura técnica e quase uma religião entre os ducatistas.

Do desmo em diante, a marca colecionou ícones. A 851 foi a primeira Ducati com refrigeração líquida e quatro válvulas por cilindro. Em 1993 chegou a Monster, despida de tudo que não fosse essencial, que rapidamente virou lenda e fôlego comercial da empresa. E em 1994 veio a 916, desenhada por Massimo Tamburini e até hoje considerada uma das motos mais bonitas já produzidas, que reinventou o conceito de superesportiva. Cada uma dessas máquinas ajudou a construir a aura de “arte italiana sobre duas rodas” que acompanha a marca — hoje, aliás, parte do Grupo Volkswagen, sob controle da Audi por meio da Lamborghini.

O que será o World Ducati Week 2026

A festa do centenário tem palco à altura. O World Ducati Week 2026, 13ª edição do maior encontro da marca, acontece de 3 a 5 de julho no Misano World Circuit “Marco Simoncelli”, à beira do Adriático. A data não é por acaso: 4 de julho é exatamente o dia em que, um século atrás, a história da Ducati começou. Sob o lema “Live the Legend – Celebrate 100 Years Together”, o fim de semana mistura corridas, experiências de pilotagem, exposições de modelos, encontros com pilotos e o tradicional desfile dos ducatistas pela Riviera Romagnola.

O cardápio de pista é de babar. A Lenovo Race of Champions, marcada para domingo, 5 de julho, reúne um time estelar com Marc Márquez, Francesco Bagnaia, Fabio di Giannantonio, Alex Márquez, Fermín Aldeguer e o fenômeno do Mundial de Superbike, Nicolò Bulega, entre outros. As voltas de honra de sexta e sábado trazem lendas como Casey Stoner, Troy Bayliss, Carl Fogarty e Loris Capirossi, num grupo de pilotos que soma 48 títulos mundiais, com sessões de autógrafos ao longo dos dias. A marca ainda vai usar o palco para uma estreia mundial de um novo modelo e para a primeira aparição pública da Superleggera V4 Centenario.

Uma comunidade que atravessa o mundo

O World Ducati Week é, no fundo, uma celebração de pertencimento. Os Ducati Official Clubs somam 375 clubes e mais de 52 mil membros em 67 países, e ganham espaço próprio no evento, o DOC Village. A primeira edição do encontro aconteceu em 1999, e de lá pra cá ele se tornou um ponto de peregrinação para apaixonados do mundo inteiro — inclusive brasileiros, que costumam aproveitar o verão europeu para conhecer de perto o universo da marca.

Vale lembrar que a Ducati chega ao centenário em alta também nas pistas. A força atual em MotoGP e no Mundial de Superbike — onde a marca é a maior vencedora da história — dá ao aniversário um sabor extra: não é só nostalgia, é uma empresa no auge competitivo soprando as cem velinhas. Para quem ama duas rodas, o centenário da Ducati é daqueles marcos que transcendem a marca: é o motociclismo celebrando um pedaço da própria identidade. E, em Misano, esse pedaço de história vai ganhar três dias inteiros de festa.

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