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A CFMOTO acaba de inscrever seu nome num clube muito seleto.
No dia 15 de junho, durante o Desafio Chinês de Recorde de Velocidade Máxima para Motocicletas, realizado no Centro de Testes Automotivos da CCCC, em Shangrao, o protótipo V4 SR-RR registrou 315,82 km/h em medição oficial. Com a marca, a moto se torna a chinesa de motor a combustão mais rápida já documentada. Para uma fabricante que há poucos anos era associada apenas a modelos de entrada, ultrapassar a barreira dos 300 km/h é um salto e tanto.
Por baixo das carenagens há um conjunto ambicioso. O coração é um V4 a 90°, de 997 cm³, com virabrequim contrarrotante para reduzir a inércia e facilitar o manejo, capaz de entregar mais de 210 cv a cerca de 14.500 rpm. No lugar de um chassi tradicional, a moto usa um monocoque de alumínio leve, solução inspirada nas superesportivas mais sofisticadas. O peso em ordem de marcha fica abaixo dos 200 kg, o que coloca a relação peso-potência em menos de 1 kg por cavalo — número que, no universo das superbikes, é sinônimo de projeto extremo. O protótipo foi apresentado ao público no EICMA 2025.
O cuidado com a credibilidade do recorde também chama atenção. Os testes foram conduzidos por dois pilotos experientes, Du Bang e Huang Shizhao, e o processo teve acompanhamento do Centro Nacional de Inspeção de Motocicletas de Chongqing e de tabeliães, com medição por GPS e registro em vídeo para garantir a transparência da marca. A própria CFMOTO trata o resultado como mais uma etapa do programa de desenvolvimento da plataforma V4 SR-RR, que deve se tornar sua principal superesportiva nos próximos anos. É a marca sinalizando, de forma clara, que pretende ocupar um espaço entre as grandes referências europeias e japonesas do segmento.
A leitura, daqui pra frente, é de expectativa. A SR-RR segue como protótipo, sem previsão oficial de lançamento comercial. Ainda assim, o feito tem peso simbólico, e chega num momento interessante: a CFMOTO acabou de iniciar sua operação no Brasil, e uma conquista dessas reforça a imagem esportiva da marca justamente quando ela se apresenta ao público nacional.
Resta acompanhar como esse avanço tecnológico vai se traduzir em produtos de série e como o mercado, aqui e lá fora, vai responder a uma fabricante chinesa batendo à porta do clube mais exclusivo das duas rodas. Por ora, fica o registro de um marco que poucos imaginavam ver tão cedo.













