CG, 50 anos: a moto que ensinou o Brasil a andar — e nunca mais saiu da nossa vida.

A Honda CG completa 50 anos no Brasil como o veículo mais vendido da história do país e a primeira moto que a maioria dos motociclistas brasileiros aprendeu a pilotar. Mais de 15 milhões de unidades, dez gerações e incontáveis histórias de família — e uma nova expedição de Manaus a São Paulo para celebrar meio século sobre duas rodas.

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Tem coisa que a gente só entende quando está lá dentro. Ontem, 16/06/2026, na festa de 50 anos da Honda e da CG no Brasil, dava para sentir no ar uma mistura difícil de explicar: orgulho, nostalgia e aquele tipo de afeto que a gente reserva para as coisas que fizeram parte da nossa formação. Porque a CG não é só uma moto. Para milhões de brasileiros, ela é a primeira lembrança de liberdade sobre duas rodas — a moto do pai, a do tio, a do primeiro emprego, a que ensinou a embrear sem matar o motor no meio da rua.

Tudo começou em 1976.

A história tem data e lugar. A CG inaugurou a fábrica da Honda em Manaus no dia 4 de novembro de 1976, e ali nascia muito mais do que um modelo: nascia o primeiro produto Honda fabricado em solo brasileiro. Era a CG 125, a “Bolinha”, que logo cairia no gosto do país. O Brasil daquela época precisava de algo simples, barato e resistente para se locomover, especialmente onde o transporte público não chegava e a estrada era de terra. A CG entendeu essa necessidade como ninguém — e essa, talvez, seja a chave de tudo: a filosofia de ouvir, entender e atender as necessidades reais de quem vive este país.

Não demorou para virar fenômeno. Em 1981, a CG entrou para a história como a primeira moto do mundo a rodar com álcool, reforçando a fama de durável e inovadora. Em 1994 chegou a Titan, a versão mais popular e querida do modelo; em 2004 veio o motor de 150 cilindradas, depois de quase três décadas só com o 125; e em 2006 a CG Fan democratizou ainda mais o acesso, com preço mais camarada. Cada geração foi um retrato do Brasil do seu tempo.

A moto que ensinou o Brasil a pilotar.

Aqui mora a parte que nenhum número traduz por completo. A CG foi, para a maioria dos motociclistas brasileiros, a primeira moto de aprendizado — aquela em que se descobriu o equilíbrio, o medo, a confiança e, por fim, a paixão. Ela foi e é ferramenta de trabalho do motoboy, companheira do trabalhador rural, transporte da família inteira no interior, sonho de consumo do adolescente que juntou dinheiro por anos. Atravessou gerações dentro da mesma casa: comprada pelo avô, herdada pelo pai, aprendida pelo filho.

É por isso que falar da CG é, no fundo, falar da própria história de mobilidade do Brasil. Símbolo de economia, robustez e facilidade de uso, ela teve papel central na democratização da mobilidade no país, sobretudo nas regiões com transporte público escasso e infraestrutura precária. Ela não foi só vendida. Ela foi vivida.

Os números que viraram lenda.

E quando os números aparecem, eles confirmam o tamanho do mito. São mais de 15 milhões de unidades produzidas em Manaus ao longo de dez gerações, marca que faz da CG o veículo motorizado mais produzido da história da indústria nacional — à frente até de ícones quatro rodas como Gol, Uno e Fusca. Segundo números reforçados pela Honda na celebração, a CG responde sozinha por cerca de 22% de todo o mercado brasileiro de motocicletas e por aproximadamente 30% das vendas da marca no país. Uma única moto sustentando quase um terço da operação de uma gigante. E ela segue líder, ainda hoje, na sua décima geração.

Há ainda um detalhe que dá a real dimensão do crescimento. A fábrica de Manaus, que na inauguração tinha 9,7 mil m² de área construída, hoje ocupa 311,6 mil m² — 32 vezes maior. A CG cresceu junto com o Brasil, e fez o Brasil crescer junto com ela.

A celebração e a CG 160 50 Anos.

Para marcar a data, a Honda lançou a edição comemorativa. A CG 160 50 Anos Special Edition chegou às concessionárias em janeiro de 2026, com base na versão Titan, vestida de vermelho exclusivo e com os grafismos alusivos aos “50 anos” no tanque, nas aletas e no para-lama dianteiro. A celebração se estendeu à Honda Store, com camisetas e um capacete comemorativo que homenageiam a trajetória do modelo. É uma série limitada, dessas que viram peça de coleção e objeto de desejo entre os apaixonados pela marca.

A Expedição CG 50 Anos: de Manaus a São Paulo, atrás de histórias.

Mas talvez a homenagem mais bonita seja outra, e ela vai acontecer na estrada. Nos mesmos moldes de uma década atrás, a Honda prepara a Expedição CG 50 Anos, que sairá de Manaus rumo a São Paulo cruzando o Brasil de ponta a ponta. Em 2016, a Expedição CG 40 Anos – Quilômetros de Histórias percorreu 6 mil quilômetros em 25 dias, com saída de Manaus, travessia de barco até o Norte e parada em dezenas de cidades, recolhendo as histórias emocionantes de brasileiros cuja vida se cruzou com a CG. Aquela jornada virou um documentário, e mostrou que a moto havia conquistado não só a garagem, mas o coração de milhões de motociclistas. A edição dos 50 anos promete repetir o espírito: rodar o país atrás das pessoas, das memórias e das histórias que essa moto ajudou a escrever.

E aqui vai uma confissão pessoal, dessas que a gente não esconde quando ama o que faz. Eu também nasci em 1976 — em abril daquele mesmo ano em que a CG começava a rodar pelo Brasil. Somos da mesma safra, eu e ela. Por isso, torço — e muito — para ser um dos escolhidos a fazer esse trajeto. Cruzar o país sobre uma CG no ano em que nós dois completamos meio século não seria apenas uma viagem: seria comemorar os meus 50 anos lado a lado com a moto que atravessou a minha vida inteira. Seria, sem exagero nenhum, um dos melhores presentes que eu poderia receber. E se essa chance vier, pode ter certeza de que cada quilômetro virará relato aqui, com toda a emoção que uma jornada dessas merece.

Parabéns, Honda — e obrigado!

Cinquenta anos é tempo de sobra para uma moto nascer, virar líder, atravessar crises, mudar de geração e ainda assim continuar no topo. Poucos produtos, de qualquer tipo, resistem tanto e tão bem. A CG conseguiu porque nunca se afastou de quem a sustenta: o brasileiro de verdade, que precisa de uma moto confiável para trabalhar, viver e sonhar.

E aqui vale o que precisa ser dito com todas as letras: parabéns, Honda! Meio século de Brasil não se constrói por acaso. A trajetória da marca se confunde com a própria história do país — acompanhou a industrialização da Zona Franca de Manaus, colocou milhões de famílias em movimento, gerou emprego, formou gerações de motociclistas e ajudou a democratizar a mobilidade num território continental e desigual. Onde o transporte não chegava, a Honda chegou de moto.

São cinco décadas de inovação que nunca pararam — da primeira moto do mundo a rodar com álcool às máquinas de altíssimo nível tecnológico que a marca entrega hoje, de ponta a ponta da gama. Mas talvez o que mais mereça aplauso seja o que não aparece na ficha técnica: o respeito ao cliente, a confiança construída moto a moto, e um pós-venda impecável que transformou compradores em fãs para a vida toda. É isso que faz alguém comprar a primeira CG e seguir Honda pelas décadas seguintes.

E, no centro de tudo, ela: a CG. A moto que ensinou o Brasil a pilotar, que virou sinônimo de duas rodas, que esteve em tantas garagens e em tantas histórias que já não dá para separar uma coisa da outra. Parabéns por meio século colocando o país para rodar. Que venham os próximos 50 — e que a gente esteja por aqui, com o capacete na mão, para contar cada um deles. Obrigado, Honda. E feliz aniversário, CG.

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