Brasil | Lançamentos
A KTM entra numa fase nova no Brasil, e dessa vez a mudança é estrutural. Em 9 de junho de 2026, a Bajaj do Brasil anunciou que assumirá as operações comerciais da KTM no país — vendas, marketing, pós-venda, peças e rede de concessionárias —, estendendo o controle também à Husqvarna. O movimento é desdobramento da aquisição global: a indiana passou a deter 76% das ações da KTM AG e o controle total da Pierer Mobility. Não é parceria entre iguais; é a Bajaj no comando.
O carro-chefe desse recomeço já tem nome. A KTM 390 Adventure chega nas versões X e R, com lançamento previsto para o terceiro trimestre de 2026, entre julho e setembro. A divisão de papéis é clara: a X mira o uso em asfalto, e a R aposta num conjunto mais preparado para a terra. A R compartilha base com a 390 Enduro R e usa um monocilíndrico de 398,7 cm³ arrefecido a líquido, com 45 cv e 4 kgfm de torque, escapamento em inox sem silencioso traseiro convencional e 165 kg de peso seco declarado. Os componentes virão da Índia, onde os modelos KTM são feitos pela Bajaj, e a montagem final acontece em Manaus.
A produção nacional ocorrerá numa fábrica dedicada à marca austríaca, instalada ao lado da planta da Bajaj. Montar localmente ataca justamente o calcanhar de Aquiles histórico da KTM por aqui: preço salgado e peça difícil. A própria fabricante associa a nacionalização à promessa de valores mais competitivos e melhor disponibilidade de componentes. Vale a ressalva honesta — os preços ainda não foram divulgados, então a promessa de competitividade segue no campo da intenção até a tabela aparecer.
O pano de fundo dá peso à virada. A KTM AG vinha de uma das piores crises de sua história, com pedido de reestruturação judicial na Áustria no fim de 2024 e dívida bilionária. Cair no colo de um dos maiores grupos do mundo, com músculo industrial em mercados emergentes, é o tipo de socorro que pode transformar a marca de nicho premium em jogadora de volume no Brasil. A continuidade já está desenhada: a 790 Adventure está programada para o último trimestre de 2026. Se os preços vierem onde a Bajaj sugere, a disputa nas trails de média cilindrada ganha um nome novo e perigoso. É das histórias para acompanhar de perto no segundo semestre.













