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O trabalhador que vive sobre duas rodas ganhou uma nova porta de acesso à moto própria. O Governo Federal anunciou, em cerimônia no Palácio do Planalto na sexta-feira (12), o Move Brasil – Entregadores e Motoapp, programa de financiamento voltado a quem faz entregas, transporte de passageiros ou de cargas por aplicativo, além de profissionais com vínculo celetista. A iniciativa foi formalizada pela Medida Provisória nº 1.366 e pelo Decreto nº 13.026, ambos de 12 de junho de 2026. A meta é financiar cerca de 100 mil motocicletas, motonetas e ciclomotores, priorizando veículos produzidos no Brasil.
As condições do financiamento
O desenho da linha foi pensado para caber no orçamento de quem depende da moto para trabalhar. O prazo é de até 48 meses, com carência de dois meses antes da primeira parcela, e o seguro prestamista também pode ser incluído no financiamento. As taxas variam conforme o gênero: 12,5% ao ano (0,99% ao mês) para homens e 11,5% ao ano (0,91% ao mês) para mulheres, num estímulo à presença feminina na categoria. Numa simulação para uma operação de R$ 21 mil, a prestação ficaria em torno de R$ 552. A operação é tocada diretamente pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO) e recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social.
Quem pode participar
As regras de elegibilidade foram definidas para alcançar quem realmente vive da atividade. Podem participar entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em plataformas de aplicativo há pelo menos seis meses e que tenham feito no mínimo 100 corridas ou entregas, além de motofretistas e mototaxistas com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa. Para os veículos que exigem habilitação, é obrigatória a CNH categoria A. Cada beneficiário poderá financiar apenas um veículo, e o cadastro é feito pela plataforma oficial vinculada ao portal gov.br.
O que pode ser financiado
Aqui está o ponto que mais interessa a quem acompanha o mercado. A linha cobre motos flex de até 160 cm³, além de motonetas, ciclomotores, motos elétricas e bicicletas elétricas, desde que montados ou produzidos no Brasil. O financiamento poderá cobrir até 100% do valor do veículo, sem necessidade de entrada. Ou seja, o programa mira o coração do segmento de trabalho — as pequenas cilindradas de uso urbano — e abre espaço, pela primeira vez de forma estruturada, para os elétricos nesse perfil de uso. A inclusão dos veículos elétricos foi celebrada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que vê na medida uma aproximação da política pública com as novas tecnologias de mobilidade urbana.
O que isso pode significar para o mercado
Para o setor de duas rodas, o programa chega como um possível combustível para a base da pirâmide. A exigência de produção nacional vincula o crédito diretamente à indústria instalada no país, o que tende a aquecer a fabricação de modelos de entrada e de pequenas cilindradas. O próprio governo aponta como objetivos a renovação da frota, o aumento de produtividade e segurança dos trabalhadores e a transformação do custo do aluguel de moto em patrimônio próprio. Resta acompanhar, nos próximos meses, qual será a adesão real e como as montadoras vão responder à eventual alta de demanda nesse recorte específico do mercado. O potencial é grande — falamos de até 100 mil veículos —, e a chegada dos elétricos a esse universo é um capítulo que vale seguir de perto. A largada está marcada: 13 de julho.













