Brasil | Especial Festival Interlagos 2026
A Honda montou no Festival Interlagos 2026 uma verdadeira vitrine do seu tamanho no Brasil — da Biz aos 50 anos da CG, passando por simuladores, dinamômetro e a presença de Diogo Moreira, o brasileiro da MotoGP. Mas, entre tudo o que a marca levou ao autódromo, uma moto concentrou os olhares de quem gosta de desempenho: a nova CB1000 Hornet 2027. Topo da linha naked da fabricante, ela desembarca com uma promessa e tanto — colocar um motor de origem superesportiva ao alcance de quem quer uma streetfighter de rua. A pergunta que esta análise responde é direta: entre as versões ABS e SP, qual delas combina com o seu tipo de pilotagem?
Design: a identidade streetfighter da família Hornet
A CB1000 Hornet assume sem rodeios a linguagem agressiva das nakeds de alta cilindrada. O tanque mantém a assinatura visual da família, com a dianteira larga e musculosa afunilando em direção à traseira, enquanto o subchassi traseiro tipo treliça arremata a silhueta enxuta. É um desenho que comunica esportividade e intenção, coerente com a mecânica que carrega por baixo. A versão ABS chega nas cores Branco Perolizado e Vermelho; a SP se distingue de imediato pelo exclusivo Preto Fosco, reforçando seu caráter mais radical.
Ergonomia e conforto: postura de combate urbano
A posição de pilotagem é típica de uma streetfighter: guidão elevado e recuado, que dá braço de alavanca para manobras rápidas, e pedaleiras recuadas em posição esportiva. O assento fica a 809 mm do solo, altura equilibrada que atende bem a boa parte dos biótipos sem intimidar. Com 197 kg de peso seco (chegando a cerca de 211 kg em ordem de marcha), é uma moto de porte respeitável, mas com centro de massa bem resolvido — algo que se sente sobretudo nas transições de curva. O tanque de 17 litros garante autonomia coerente para o uso misto de cidade e estrada.
Motor e desempenho: o coração vem da Fireblade
Aqui está o grande argumento da CB1000 Hornet. O propulsor é um DOHC de quatro cilindros em linha e 1.000 cm³, refrigerado a líquido, derivado diretamente da superesportiva CBR1000RR Fireblade 2017. Para a aplicação na naked, a Honda reviu os comandos de válvulas e a curva de entrega, buscando um comportamento dócil na cidade e vigoroso quando se abre o acelerador. No Brasil, o conjunto foi homologado em 147,4 cv a 11.000 rpm e 10,3 kgf.m de torque a 9.000 rpm — vale registrar que, na Europa, esse mesmo motor rende mais (152 cv na ABS e 157 cv na SP), diferença explicada pelas normas de combustível e emissões de cada mercado. O câmbio de seis marchas teve as relações de segunda a quinta trabalhadas para favorecer a aceleração, enquanto a sexta prioriza rodar tranquilo em rodovia. A embreagem é assistida e deslizante nas duas versões.
Ciclística, suspensão e freios
A base é um chassi Diamond em aço, com suspensão traseira Pro-Link e rodas de 17 polegadas calçadas com pneus 120/70 na dianteira e 180/55 na traseira. É justamente na ciclística e nos freios que as duas versões se separam. A ABS usa garfo invertido Showa na dianteira, conjunto traseiro também Showa e freios com pinças Nissin de fixação radial. A SP eleva o nível com amortecedor traseiro Öhlins TTX36 e pinças Brembo Stylema — componentes de linhagem de pista que refinam tanto a frenagem quanto o controle em ritmo forte. Do ponto de vista de segurança ativa, ambas trazem ABS e o controle de tração HSTC de série, base importante para domar um motor dessa envergadura.
Tecnologia e eletrônica
O pacote eletrônico é digno da proposta. As duas versões contam com acelerador eletrônico Throttle By Wire, que habilita modos de pilotagem configuráveis (com combinações de potência e freio-motor), o controle de tração HSTC ajustável e um painel TFT de cinco polegadas com conectividade para smartphone, tudo operado por comandos no punho esquerdo. A grande exclusividade da SP no quesito tecnologia é o quickshifter bidirecional, ajustável em três níveis, que permite trocas e reduções sem acionar a embreagem — recurso que faz diferença tanto na pilotagem esportiva quanto no conforto do dia a dia.
ABS ou SP: qual escolher?
A diferença de R$ 7.950 entre as duas versões se traduz em itens bem definidos. Quem opta pela SP leva a suspensão Öhlins, os freios Brembo e o quickshifter — um pacote voltado a quem pretende explorar o lado esportivo da moto, em track days ou pilotada mais intensa. Já a versão ABS entrega praticamente toda a essência da CB1000 Hornet — o mesmo motor, a mesma eletrônica de modos e HSTC, o mesmo TFT — por um valor de entrada menor, sendo a escolha lógica para quem vai usar a naked majoritariamente na rua. Não há versão “melhor” em termos absolutos: há a que conversa com o uso esportivo e a que atende com sobra o uso cotidiano.
Ficha técnica — Honda CB1000 Hornet 2027
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | DOHC, 4 cilindros em linha, 1.000 cm³, arrefecido a líquido |
| Origem | Derivado da CBR1000RR Fireblade 2017 |
| Potência | 147,4 cv a 11.000 rpm (homologação Brasil) |
| Torque | 10,3 kgf.m a 9.000 rpm |
| Câmbio | 6 marchas, embreagem assistida e deslizante |
| Eletrônica | Throttle By Wire, modos de pilotagem, HSTC |
| Painel | TFT de 5″ com conectividade |
| Iluminação | Full-LED |
| Chassi | Diamond, em aço |
| Suspensão traseira | Pro-Link |
| Rodas/Pneus | 17″ — 120/70ZR17 (diant.) / 180/55ZR17 (tras.) |
| Entre-eixos | 1.456 mm |
| Altura do assento | 809 mm |
| Tanque | 17 litros |
| Peso seco | 197 kg |
| Garantia | 3 anos sem limite de km + Honda Assistance |
Diferenças entre as versões
| Item | CB1000 Hornet (ABS) | CB1000 Hornet SP |
|---|---|---|
| Suspensão traseira | Showa | Öhlins TTX36 |
| Freios | Nissin | Brembo Stylema |
| Quickshifter | Não | Sim (bidirecional, 3 níveis) |
| Cores | Branco Perolizado, Vermelho | Preto Fosco |
| Preço (base SP, sem frete) | R$ 68.800 | R$ 76.750 |
Ficha de compra — o veredito
Pontos fortes
- Motor de origem Fireblade com 147,4 cv, dócil na cidade e vigoroso na esportiva
- Pacote eletrônico completo de série nas duas versões (modos de pilotagem, HSTC, TFT conectado)
- Versão SP com suspensão Öhlins, freios Brembo e quickshifter de linhagem de pista
- Versão ABS entrega a essência da moto por um valor de entrada menor
- Garantia de três anos sem limite de quilometragem
Pontos de atenção
- É uma moto potente, que exige experiência e maturidade na mão direita
- A potência homologada no Brasil é inferior à da versão europeia
- Peso considerável pede atenção nas manobras em baixa velocidade
- Chegada às concessionárias apenas a partir de setembro
Para quem é a ABS: o motociclista que quer a experiência de uma naked de litro derivada de superesportiva para uso predominantemente urbano e rodoviário, com todo o pacote eletrônico essencial e um custo de entrada menor.
Para quem é a SP: quem pretende explorar o potencial esportivo da moto, valoriza suspensão e freios premium e faz questão do quickshifter para pilotada em ritmo forte ou track days.
Nota de segurança M.O.T.O.: uma moto com quase 150 cv não perdoa distrações. O ABS e o controle de tração HSTC formam uma base sólida de segurança ativa, mas nenhuma eletrônica substitui a maturidade do piloto e o respeito à curva de adaptação — especialmente para quem está subindo de cilindrada. O EPI completo e de boa qualidade (capacete, macacão ou jaqueta e calça com proteções, luvas e botas) é obrigatório, e o uso consciente da potência é o que separa a diversão do acidente.
Além da Hornet, a Honda aproveitou o Festival para mostrar a evolução da CB300F Twister 2027 — que ganhou controle de tração HSTC, suspensão invertida Showa e sinalização de frenagem de emergência, itens antes restritos a categorias superiores — e a descontraída Biz 125 EX Kuromi, provando que a marca quer estar presente em todas as portas de entrada do motociclismo, da naked de litro à comuter urbana.
Para quem já se rendeu à CB1000 Hornet e quer conhecê-la de perto, sentir a ergonomia e tirar as dúvidas entre a ABS e a SP antes de decidir, vale procurar a Mila Moto (www.milamoto.com.br), concessionária Honda com unidades em Jundiaí, Itupeva e Itatiba, no interior de São Paulo. Além do test drive bem conduzido, o pós-venda cuidadoso faz toda a diferença numa moto desse porte e desse valor.













