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O segmento de scooters aventureiros ainda engatinha no Brasil, mas dá sinais claros de que veio para ficar. A Dafra percebeu isso antes de muita gente e, depois da boa aceitação do ADXTG 150 — que obrigou a marca a acelerar a produção para dar conta da procura —, chega agora à sua irmã maior. O SYM ADXTG 300 estreia nas concessionárias a partir de 10 de agosto por R$ 32.990, com frete incluso e cinco anos de garantia, e promete unir o conforto de um scooter urbano com a disposição para encarar estradas de terra. A grande questão que esta análise pretende responder é direta: ele cumpre essa dupla função ou fica no meio do caminho?

Design: presença que comunica a proposta
Visualmente, o ADXTG 300 é uma declaração de intenções. A frente é imponente, dominada por um conjunto óptico totalmente em LED, com um DRL que, de frente, remete às asas abertas de uma ave — assinatura de estilo que dá personalidade imediata ao modelo. Os vincos e ângulos marcados percorrem toda a carenagem e entregam volume e modernidade, enquanto o banco em dois níveis e dois tons reforça o ar aventureiro. Para-brisa elevado (em tom fumê) e protetores de mãos vêm de série e não são meros adornos: cumprem função real de proteção contra vento e detritos, algo que faz diferença em viagem. É um desenho que comunica com honestidade a que a moto se propõe.

Ergonomia e conforto: pensado para rodar longe
Com 1.325 mm de altura total e assento a 790 mm do solo, o ADXTG 300 aparenta ser mais alto do que realmente é. Na prática, o estreitamento do banco na região frontal facilita o apoio dos pés no chão, tornando-o acessível a uma boa faixa de biótipos — ponto importante de segurança, já que a confiança em paradas e manobras lentas começa pela capacidade de firmar os pés. O espaço para o piloto é generoso, tanto no assento quanto na plataforma, que permite variar a posição das pernas em trajetos longos. É um conjunto pensado para quilometragem, e não apenas para o corre urbano.

Motor: 26 cv com entrega madura
Sob a carenagem trabalha um monocilíndrico de 278,3 cm³, quatro tempos, quatro válvulas e arrefecimento líquido, que integra a família de 300 da Dafra ao lado de Joyride e Cruisym. São 26 cv a 8.000 rpm e 2,65 kgf.m de torque a 6.000 rpm, com transmissão automática CVT. Na proposta a que se destina, é um motor equilibrado: baixo nível de vibração, retomadas convincentes e fôlego para manter velocidade de cruzeiro na casa dos 120 km/h com margem para ultrapassagens seguras. Não é um propulsor de emoções esportivas, e nem precisa ser — a entrega madura e progressiva combina exatamente com o caráter viajante do scooter e favorece a previsibilidade, que é aliada da pilotagem segura.

Ciclística, freios e segurança
Aqui mora o coração da análise. A suspensão traz garfo telescópico com 110 mm de curso na dianteira e conjunto biamortecido com 135 mm atrás. São números que dão conta com folga do uso urbano — inclusive absorvendo bem o asfalto castigado das cidades — e que se comportam de forma valente em estradas de terra batida. O ponto de atenção aparece no fora de estrada mais severo: diante de solavancos acentuados, os cursos mostram seus limites e podem chegar ao fim de curso. É uma característica esperada para um scooter, e não um defeito — mas é bom o comprador entender que a vocação real é o off-road leve, não a trilha pesada.
Os freios são um destaque positivo: discos de 260 mm na dianteira e 240 mm na traseira, ambos com ABS de dois canais, entregam frenagens fortes e seguras. Do ponto de vista de segurança ativa, o ABS nas duas rodas é um ativo relevante nesse tipo de máquina, sobretudo para o público que usa o scooter no dia a dia urbano. Os pneus mistos, nas medidas 120/70-15 na frente e 140/70-14 atrás, montados em rodas de liga leve, reforçam a proposta dual: aderência no asfalto e capacidade para o chão firme. Um detalhe que o piloto mais entusiasmado vai notar é que o cavalete central pode limitar o ângulo de inclinação em curvas muito fechadas — nada que comprometa o uso, mas vale o registro.

Tecnologia e eletrônica: recheado, com uma ausência
O pacote tecnológico é um dos trunfos do modelo. O painel TFT colorido de 7 polegadas oferece três layouts, personalização de fundo e modos de visualização diurno e noturno. Somam-se a ele o controle de tração — desligável, pensado justamente para quem quer soltar a roda na terra —, o sistema keyless e duas tomadas USB (tipo A e tipo C) no porta-luvas do escudo frontal. Há ainda espaço sob o banco para acomodar um capacete fechado, item prático que conta muito no uso real. Fica, porém, um ponto de atenção honesto: apesar de bonito e completo, o TFT não traz conectividade com smartphone — recurso que parte da concorrência, inclusive de menor cilindrada, já oferece. Outro detalhe é que os botões de navegação do painel, posicionados nas laterais inferiores, têm o acesso um pouco dificultado pelo guidão. São observações que não tiram o mérito do conjunto, mas que o consumidor exigente deve pesar.

Autonomia e uso real
Se a proposta é viajar, a autonomia entra como argumento de peso. O tanque de 16 litros é apontado pela Dafra como o segundo maior entre os scooters do mercado brasileiro e permite rodar até cerca de 400 km por abastecimento, dependendo do estilo de pilotagem. Para quem pensa em estrada e viagens mais longas, é um diferencial concreto — menos paradas, mais quilômetros entre um posto e outro.

Posicionamento: onde ele se encaixa
O ADXTG 300 nasce em um nicho ainda pouco povoado no Brasil. Entre os scooters de proposta parecida, a referência mais próxima em conceito é a Zontes 368G, também de pegada aventureira. O modelo da Dafra também dialoga, pela cilindrada e pelo perfil viajante, com os maxi-scooters urbanos de faixa semelhante. Vale lembrar que preço e valor são coisas distintas: os R$ 32.990 traduzem um pacote com motor validado, boa autonomia, freios ABS nas duas rodas e recheio tecnológico — mas a decisão sobre o que representa “valer a pena” depende do uso de cada piloto e pertence, sempre, ao comprador.
Ficha técnica — SYM ADXTG 300 (2027)
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | Monocilíndrico, 4 tempos, 4 válvulas, arrefecimento líquido |
| Cilindrada | 278,3 cm³ |
| Potência máxima | 26 cv a 8.000 rpm |
| Torque máximo | 2,65 kgf.m a 6.000 rpm |
| Transmissão | Automática CVT |
| Partida | Elétrica |
| Suspensão dianteira | Telescópica, curso de 110 mm |
| Suspensão traseira | Biamortecida, curso de 135 mm |
| Freios | Discos (260 mm diant. / 240 mm tras.) com ABS 2 canais |
| Controle de tração | Sim, desligável |
| Rodas | Liga leve — aro 15″ (diant.) / 14″ (tras.) |
| Pneus | 120/70-15 (diant.) / 140/70-14 (tras.), mistos |
| Painel | TFT colorido de 7″ (3 layouts, modo dia/noite) |
| Acesso/partida | Keyless |
| Tomadas | USB-A e USB-C |
| Iluminação | Full-LED com DRL |
| Tanque | 16 litros |
| Autonomia | Até ~400 km |
| Altura do assento | 790 mm |
| Distância entre eixos | 1.510 mm |
| Altura mínima do solo | 150 mm |
| Peso seco | 188 kg |
| Preço | R$ 32.990 (frete incluso) |
| Garantia | 5 anos |

Ficha de compra — o veredito
Pontos fortes
- Autonomia de destaque: tanque de 16 litros e até ~400 km por abastecimento
- Freios potentes com ABS de dois canais nas duas rodas — segurança ativa de série
- Pacote tecnológico completo: TFT de 7″, keyless, controle de tração desligável e duas USB
- Design com presença e proteção real (para-brisa e protetores de mão de série)
- Motor equilibrado, de entrega suave e previsível, ideal para rodar longe
Pontos de atenção
- Cursos de suspensão modestos para o off-road mais pesado — a vocação é o chão leve
- ABS traseiro não desligável pode incomodar quem quer deslizar a traseira na terra
- Painel TFT sem conectividade, recurso já presente em parte da concorrência
- Peso seco de 188 kg pede atenção em manobras lentas e no fora de estrada
Para quem é: o piloto que quer um scooter versátil para o dia a dia urbano e viagens de asfalto, com a liberdade extra de encarar estradas de terra e trechos de chão firme sem drama. Biótipos variados se adaptam bem graças ao assento de 790 mm.
Para quem talvez não seja: quem busca uma máquina para trilha pesada de verdade ou quem considera a conectividade do painel um item indispensável.
Nota de segurança M.O.T.O.: o conjunto de freios ABS nas duas rodas e o controle de tração desligável formam uma base sólida de segurança ativa para o perfil de uso proposto. Como toda moto de pegada mista, pede o EPI completo — capacete, jaqueta, luvas, calça e botas com proteção — sobretudo para quem pretende sair do asfalto, onde uma queda a baixa velocidade ainda machuca.
Com o ADXTG 300, a Dafra reforça uma aposta que vinha dando certo e ajuda a consolidar um segmento que o motociclista brasileiro está aprendendo a gostar: o do scooter que não tem medo de sair do asfalto.













