RAIO-X | GAERNE: por que a italiana é tratada como uma das melhores botas do mundo.

Fabricada à mão na Itália desde 1962, a Gaerne construiu reputação global unindo artesanato, materiais nobres e engenharia de proteção para o pé do motociclista. No Brasil, a linha é importada e distribuída oficialmente pela Brasil Racing, do grupo BR Sports Group (BRSG).

Brasil | Raio-X

Estreiando a coluna Raio-X, dedicada a olhar de perto motos e equipamentos de pilotagem — o que eles prometem, do que são feitos e o que entregam de verdade a quem pilota. E não há nome mais adequado para abrir a série do que a Gaerne, uma marca que virou sinônimo de referência quando o assunto é bota de motociclismo. A pergunta que este texto responde é direta: o que sustenta essa fama — e o que ela significa, na prática, para o seu pé.

Uma origem que explica muita coisa

Antes de falar de tecnologia, vale entender de onde vem a autoridade da marca. A Gaerne nasceu em 1962, em Coste di Maser, na província de Treviso, no norte da Itália, das mãos de Ernesto Gazzola, um mestre sapateiro. O próprio nome é uma assinatura pessoal: GAERNE vem das primeiras letras de GAzzola ERNEsto. A empresa começou fazendo calçados de montanha e trilha, e foi na década de 1970 que migrou esse conhecimento de couro, costura e forma para o universo das botas de moto.

Esse detalhe histórico não é enfeite. Ele explica por que a Gaerne raciocina primeiro como fabricante de calçado de alta durabilidade e só depois como fornecedora de equipamento esportivo. A produção segue concentrada na Itália, sem terceirização, boa parte dela ainda montada manualmente por artesãos que trabalham na marca há décadas. Quando se fala em “Made in Italy” no caso da Gaerne, é no sentido literal: nascem, são cortadas e costuradas ali.

Construção e materiais: onde mora o diferencial

Aqui está o coração da reputação. As botas off-road de topo da Gaerne usam construção Goodyear Welted — um método em que a sola é costurada à estrutura, e não apenas colada. Na prática, isso permite algo raro no segmento: resolar a bota. Em vez de descartar o calçado quando a sola se gasta, o piloto pode substituí-la e prolongar a vida útil por anos. É um conceito que muda a lógica de um produto de topo — você compra uma vez, cuida e roda por muito tempo.

Os materiais acompanham essa filosofia. A marca trabalha com couro full-grain (a camada mais nobre e resistente do couro), compostos técnicos proprietários e borrachas de dupla densidade nas solas, buscando equilíbrio entre resistência à abrasão, aderência e amortecimento. Em algumas famílias de uso rua e aventura, entram membranas impermeáveis — incluindo soluções GORE-TEX e o sistema próprio Aquatech — para dar conta de chuva e uso severo sem encharcar o pé.

A leitura técnica é simples: não há mágica, há escolha consistente de matéria-prima e método de montagem que priorizam vida longa e proteção. É o tipo de decisão de engenharia que não aparece na foto, mas aparece no uso.

A arquitetura de proteção

Uma bota de motociclismo não é calçado reforçado: é equipamento de proteção individual. E é nesse ponto que a Gaerne mostra a que veio. Nas botas off-road, o destaque é o DSPS (Dual Stage Pivot System), um sistema de pivôs articulados no tornozelo. A função dele é permitir que a bota acompanhe o movimento natural do pé, mas trave nos extremos — limitando hiperextensão, hiperflexão e torções laterais, que são justamente os movimentos que provocam as lesões mais graves de tornozelo numa queda ou num apoio malfeito.

Vale a explicação, porque é o que separa marketing de proteção real: o objetivo do projeto é reduzir a amplitude perigosa sem transformar a bota num bloco rígido que atrapalhe a pilotagem. Some-se a isso reforços estruturais na canela, no calcanhar e na biqueira, fivelas de fecho progressivo e forros internos em espuma de memória, e você tem um conjunto pensado para absorver e redistribuir impacto.

Do ponto de vista da segurança ativa, há um ganho que costuma passar despercebido: pé protegido é pé que continua no comando. Uma lesão no tornozelo ou no antepé tira do piloto o controle do câmbio e do freio traseiro no exato momento em que ele mais precisa. Ou seja, a bota não protege só contra a lesão; ela preserva sua capacidade de reagir. Como referência de norma, o padrão europeu que rege calçado de motociclismo é o EN 13634, e a Gaerne disponibiliza documentação de conformidade de seus produtos.

O line-up: da competição ao asfalto

A Gaerne cobre praticamente todos os usos sobre duas rodas, com famílias bem definidas — do off-road de competição ao urbano. No catálogo global, o motociclismo se divide em Offroad, Racing, Adventure, Touring, Urban e uma linha de estilo de vida (G_Casual).

No Brasil, a linha importada pela Brasil Racing se organiza, hoje, assim (preços de referência do canal oficial):

OFF-ROAD / MOTOCROSS E ENDURO

  • SG22 — topo de linha atual da marca para cross e enduro. Versões como Branca e Anthracite. Referência: R$ 7.499,90. Há também a variante SG22 Enduro.
  • SG12 — modelo consagrado que segue no line-up, disponível em cores como Preto e Dourado, Laranja e Magnesium, além da SG12 Enduro. Referência: R$ 6.299,90.

ON-ROAD / RUA E AVENTURA

  • G. Adventure Aquatech Pro — bota de uso adventure/touring, com foco em impermeabilidade e conforto de estrada. Referência: R$ 2.599,90.
  • Linhas Dakar, Midland (G. Midland Aquatech) e G. Dune Aquatech — opções de rua e aventura com pegada mais urbana e de viagem.

REPOSIÇÃO E ACESSÓRIOS

  • Peças de reposição para GX1, SG10, SG12 e SG22 (uma consequência direta da filosofia de bota “reparável”), além de meiões técnicos.

SG22 e SG12: duas gerações da mesma referência

Um esclarecimento útil para quem vai às compras. A SG22 é a evolução mais recente: nasceu como atualização da SG12, mais leve, com uma biqueira 3D redesenhada (mais baixa e estreita, para agilizar as trocas de marcha), DSPS na versão 1.0 e sola de múltiplas densidades. A SG12, por sua vez, não é uma bota “ultrapassada” — ela segue como uma referência consagrada, com a mesma construção costurada e resolável que consagrou a marca.

Não se trata, portanto, de uma ser melhor que a outra, e sim de duas propostas: a SG22 mira o piloto que quer o pacote técnico mais novo; a SG12 atende quem confia num modelo já testado por anos de pista e trilha. A escolha certa depende do uso e da preferência de cada piloto.

Como comprar no Brasil

A Gaerne chega ao país por meio da Brasil Racing, importadora e distribuidora oficial e exclusiva da marca no Brasil. E há um ponto que merece atenção de quem vai investir num equipamento de alto valor agregado: por trás dessa distribuição existe estrutura.

A Brasil Racing é a empresa pioneira do grupo BR Sports Group (BRSG), no mercado desde 2000 e consolidada como uma das principais importadoras de produtos esportivos de alta performance do país. Ao longo desse período, o grupo ampliou o portfólio e passou a reunir diferentes operações — Brasil Racing, Rev Sports, Fast&Co e Movento —, o que dá à companhia fôlego logístico e presença nacional para importar e distribuir com regularidade.

No universo das duas rodas, esse peso aparece no time de marcas que o grupo representa oficialmente no Brasil. Ao lado da Gaerne, a Brasil Racing traz nomes consagrados do off-road mundial como Thor, Renthal, ProTaper, Twin Air, ProX, UFO, EVS, ODI, EBC e Ogio, entre outras — um catálogo com milhares de itens, de peças e acessórios a equipamentos e vestuário. Quando um mesmo grupo sustenta um portfólio desse porte por mais de duas décadas, isso diz algo sobre continuidade de operação e capacidade de entrega.

Para o consumidor, a leitura é prática e importante. Comprar pelo canal oficial de um distribuidor sólido significa três garantias que fazem diferença real num produto de topo: originalidade e procedência (com a grade de numeração correta, o que num equipamento de proteção é inegociável), garantia de fabricante e — talvez o ponto mais subestimado — pós-venda e reposição assegurados. A Gaerne é uma bota pensada para durar e para ser resolada; nada disso se sustenta sem quem garanta solas, fivelas e peças de reposição ao longo do tempo. É exatamente esse suporte de retaguarda que transforma um investimento alto numa compra tranquila.

FICHA DE COMPRA — O VEREDITO DO RAIO-X

Pontos fortes

  • Construção Goodyear Welted costurada e resolável: durabilidade acima da média da categoria e possibilidade de reforma.
  • Materiais nobres (couro full-grain, compostos técnicos, borrachas de dupla densidade) e montagem artesanal Made in Italy.
  • Sistema DSPS de pivôs para conter torções de tornozelo — proteção pensada como engenharia, não como enfeite.
  • Line-up amplo, que cobre desde competição off-road até rua, aventura e touring.
  • Distribuição oficial no Brasil, com garantia e reposição de peças.

Pontos de atenção

  • As botas off-road de topo são equipamentos especializados e mais rígidos por definição; é importante casar o modelo com o uso real, e não comprar a de competição para andar só no asfalto (a linha on-road existe justamente para isso).
  • Por serem importadas e, em alguns modelos, chegarem em quantidades limitadas, vale confirmar disponibilidade e numeração com o distribuidor antes de decidir.
  • Posicionamento premium: é um produto de topo, e a escolha deve considerar o tipo de pilotagem que você realmente pratica.

Para quem é
Para o piloto que enxerga a bota como equipamento de segurança de longo prazo — seja no off-road de competição, seja no uso adventure/estrada — e valoriza durabilidade, proteção de tornozelo e a possibilidade de resolar.

Para quem talvez não seja
Para quem procura apenas um calçado leve e casual para trechos curtos de cidade, sem exigência de proteção específica — nesse caso, vale olhar as linhas urbanas antes de partir para os modelos de competição.

Nota de segurança M.O.T.O.
Nenhuma bota, por melhor que seja, pilota por você — nem substitui o conjunto completo de EPI. A Gaerne resolve muito bem a proteção dos pés e tornozelos, que preserva seu controle sobre câmbio e freio traseiro; o restante depende de capacete, luvas, proteção de tronco e de joelhos formando um sistema. Equipamento certo é aquele adequado ao uso: escolha o modelo pela pilotagem que você faz de verdade, use a numeração correta e mantenha as fivelas e solas em dia. Proteção começa na escolha — e continua na manutenção.

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