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Há recordes que valem mais pelo que representam do que pelo próprio número. O da Bajaj em julho de 2026 é um desses. A fabricante indiana emplacou 3.371 motocicletas no mês, o melhor resultado desde que iniciou operações no Brasil, superando por pequena margem a marca anterior de 3.350 unidades registrada em março. À primeira vista, é apenas mais um mês forte de uma marca em ascensão. Olhando de perto, porém, o número conta a história de uma ofensiva bem calculada — e de um gigante global que decidiu levar o Brasil a sério.
Os números de um crescimento consistente
O desempenho de julho representa alta de 40% sobre o mesmo mês de 2025, quando a marca havia emplacado 2.406 unidades, e garantiu à Bajaj a quinta colocação entre as fabricantes de motos do país no ranking mensal. No acumulado de janeiro a julho, a indiana soma 21.366 motocicletas, avanço expressivo de 52% frente ao ano anterior, o que a coloca em sexto lugar no acumulado de 2026. E há um marco simbólico: desde a estreia comercial no Brasil, em dezembro de 2022, a Bajaj já ultrapassou as 65 mil unidades emplacadas. Para uma marca que chegou por último a um mercado dominado por gigantes estabelecidos, é uma curva de aceitação que impressiona pela regularidade.

Pulsar puxa o volume, Dominar sustenta a marca
A força da Bajaj no Brasil está na variedade do portfólio, e julho ilustrou bem essa dupla sustentação. O modelo mais vendido do mês foi a Pulsar N150, com 985 emplacamentos — a moto de entrada da marca, lançada em 2025, que rapidamente se tornou também a líder do portfólio no acumulado do ano, com 5.233 unidades. Ela mira um público híbrido: tanto o motociclista iniciante quanto o profissional que usa a moto para trabalhar. Já a espinha dorsal da operação continua sendo a família Dominar 400, formada pela Dominar 400 e pela NS400Z, que juntas somaram 1.345 emplacamentos em julho e 8.475 no acumulado — crescimento de 34% no ano. É nesse território da média cilindrada que a Bajaj realmente se diferencia da concorrência de entrada.

Desempenho por modelo em 2026
| Modelo | Julho | Acumulado 2026 |
|---|---|---|
| Pulsar N150 | 985 | 5.233 |
| Família Dominar 400 (400 + NS400Z) | 1.345 | 8.475 |
| Dominar NS160 | 439 | 3.103 |
| Dominar NS200 | 369 | 2.554 |
| Dominar 250 | 233 | 2.001 |
Fonte: Fenabrave / Bajaj.

A rede que sustenta o ritmo
Nenhum recorde de vendas se sustenta sem capilaridade, e a Bajaj tem investido justamente nisso. Em paralelo aos emplacamentos de julho, a marca inaugurou duas novas concessionárias no Nordeste — em Juazeiro do Norte (CE) e em Jaboatão dos Guararapes (PE) —, ambas com estrutura completa de vendas, oficina, pós-venda e estoque de peças. Com elas, a fabricante chega a 22 endereços na região nordestina e a 76 em todo o país. O avanço da rede caminha lado a lado com a ampliação da capacidade produtiva da fábrica instalada em Manaus, num movimento coordenado para não deixar a demanda crescer mais rápido do que a estrutura de atendimento.

O gigante por trás da marca
Aqui está o dado que muda a leitura de tudo. A Bajaj que bate recordes no Brasil não é uma iniciante — é uma das maiores fabricantes de motocicletas do mundo, e sua ambição global ficou ainda mais evidente recentemente. Em novembro de 2025, o grupo indiano concluiu a aquisição do controle total da estrutura que comanda a KTM, assumindo participação majoritária na fabricante austríaca e comprometendo cerca de 800 milhões de euros na reestruturação da marca. Não é o único elo de peso: a Bajaj também mantém uma parceria global com a britânica Triumph, para quem desenvolve e produz a linha de média cilindrada de 400 cc. Ou seja, a mesma empresa que emplaca a Pulsar e a Dominar no interior do Brasil está por trás de motos KTM, Husqvarna e Triumph vendidas mundo afora. Enxergar a Bajaj apenas como “mais uma marca indiana” é subestimar a engrenagem que a move.
Uma peça no novo tabuleiro brasileiro
O recorde de julho encaixa a Bajaj numa transformação mais ampla do mercado nacional. Enquanto Honda e Yamaha seguem soberanas, a disputa logo abaixo ganhou novos protagonistas — e a indiana escolheu não brigar de frente pelo volume das ruas de baixa cilindrada, mas ocupar um espaço menos disputado: o da média cilindrada acessível, com naked e trails que oferecem mais desempenho sem saltar para o segmento premium. É uma estratégia de nicho que, mês após mês, vem se provando acertada. Se o ritmo se mantiver, sustentado por rede em expansão, fábrica em crescimento e o respaldo de um conglomerado global, a pergunta deixa de ser se a Bajaj vai se consolidar no Brasil — e passa a ser até onde ela pode chegar.













