Brasil | Comparativo
Durante anos, quem queria um scooter médio premium no Brasil tinha poucas dúvidas sobre o caminho a seguir. A Yamaha XMAX 300 reinava quase sem oposição, sustentada pela força da marca e por um pacote equilibrado. Esse cenário mudou. A ofensiva das fabricantes chinesas trouxe ao país modelos recheados de tecnologia e com propostas de preço muito distintas, e hoje a XMAX precisa dividir a atenção do consumidor com nomes como a Zontes 368G e a Voge SR3. Não se trata de descobrir quem é “a melhor” — as três miram públicos e bolsos diferentes —, mas de entender o que cada uma entrega. E é isso que esta análise faz.
Visão geral — as três lado a lado
| Item | Voge SR3 | Yamaha XMAX 300 | Zontes 368G |
|---|---|---|---|
| Motor | Mono, 244,2 cm³ | Mono, 292 cm³ | Mono, 367,6 cm³ |
| Potência | 25,5 cv | 27,9 cv | 39 cv |
| Torque | 23 Nm (2,3 kgf.m) | 2,9 kgf.m | 40 Nm (4,0 kgf.m) |
| Transmissão | CVT | CVT | CVT |
| Painel | TFT com Bluetooth | TFT + LCD (Connected) | TFT de 8″ |
| Navegação | Turn by Turn | Garmin StreetCross | Integrada |
| Destaques | Banco e manoplas aquecidos, câmera frontal HD | ABS nas 2 rodas, bolha elétrica, 2 capacetes sob o banco | Câmeras diant./tras., 2 modos, piloto automático |
| Preço | R$ 33.880* | R$ 38.690 | R$ 45.800 |
| Situação no BR | Estreia recente | À venda, rede ampla | À venda |
*Preço promocional para as primeiras unidades, com frete incluso na campanha vigente. Valores da XMAX e da Zontes sem frete.

Yamaha XMAX 300 Connected: o equilíbrio da veterana
A XMAX segue fiel à sua fórmula: não é a mais potente nem a mais barata, mas talvez a mais equilibrada. Seu monocilíndrico de 292 cm³ entrega 27,9 cv e 2,9 kgf.m, com bom desempenho urbano e de estrada, e o pacote de equipamentos continua completo — ABS nas duas rodas, controle de tração, Smart Key, iluminação full LED, painel com telas TFT e LCD, conectividade via Yamaha Motorcycle Connect e navegação Garmin StreetCross. Detalhes como a bolha de ajuste elétrico e o espaço sob o banco para dois capacetes fechados reforçam a praticidade.
Pontos fortes: marca consagrada, quatro anos de garantia, programa de revisão a preço fixo, pacote de conectividade bem resolvido e conveniências de uso diário.
Pontos de atenção: é a intermediária em potência e preço; não tem os recursos mais “exóticos” das chinesas, como câmeras integradas.
Zontes 368G: a mais tecnológica e potente
A Zontes joga no ataque. Com o maior motor do trio — 367,6 cm³, 39 cv e 40 Nm —, ela se aproxima do comportamento de maxiscooters de maior porte, oferecendo acelerações e retomadas mais vigorosas. Mas é na tecnologia que ela impressiona: painel TFT de 8 polegadas, acelerador eletrônico, dois modos de condução, piloto automático, quatro tomadas USB, para-brisa ajustável e até câmeras dianteira e traseira. As rodas raiadas e a suspensão de maior curso ampliam sua versatilidade para além do asfalto.
Pontos fortes: maior potência e torque do grupo, arsenal tecnológico raro na categoria, versatilidade de uso.
Pontos de atenção: é a de maior preço entre as três; rede de concessionárias ainda em expansão frente à malha consolidada da Yamaha.

Voge SR3: a mais acessível e recheada pelo valor
A Voge segue uma estratégia oposta à da Zontes: menor cilindrada e desempenho mais contido (244,2 cm³, 25,5 cv e 23 Nm), mas com o menor preço do trio e uma lista de equipamentos surpreendente. Ela traz painel TFT com Bluetooth e navegação turn by turn, Smart Key, câmera frontal em HD, controle de tração, para-brisa ajustável e um mimo raro na faixa: banco e manoplas aquecidos. É a prova de que a nova leva chinesa aposta pesado em conteúdo para conquistar espaço.
Pontos fortes: menor preço do grupo, equipamentos generosos pelo valor, itens de conforto incomuns na categoria.
Pontos de atenção: menor potência e desempenho; marca recém-chegada, com rede e histórico ainda em construção no Brasil.
Motor e desempenho: três níveis distintos
A diferença de propulsores organiza bem o trio. A Zontes lidera com folga em potência e torque, entregando o comportamento mais esportivo. A XMAX ocupa o meio-termo, com desempenho acima da média das scooters urbanas e a suavidade típica da Yamaha. A Voge fecha o grupo com a proposta mais contida, suficiente para o uso urbano e viagens tranquilas, mas sem a pegada das outras duas. São três respostas para três perguntas diferentes.
Tecnologia e conveniência
No quesito recheio eletrônico, as chinesas mostram por que balançaram o segmento. Zontes e Voge apostam em câmeras integradas, telas grandes e itens que a XMAX não oferece. A Yamaha, por sua vez, responde com uma conectividade madura e bem integrada e com conveniências pensadas no detalhe, como o porta-capacetes duplo. É a diferença entre a abordagem “lista de recursos” das entrantes e a “experiência consolidada” da veterana.
Rede de concessionárias e maturidade: o peso invisível
Aqui está o fator que raramente aparece na ficha técnica, mas que pesa muito na convivência com a moto. A Yamaha leva vantagem clara em maturidade: rede ampla e capilarizada em todo o país, histórico de confiabilidade, disponibilidade de peças e quatro anos de garantia. Zontes e Voge, embora tragam mais tecnologia pelo preço, ainda estão construindo sua presença nacional — a Voge, inclusive, é uma estreante recente por aqui. Para quem mora longe dos grandes centros ou depende do scooter no dia a dia, a proximidade de assistência e a facilidade de peças podem valer tanto quanto uma câmera traseira ou uma tela maior.
Preço e posicionamento
Como comparativo de mercado, cabe posicionar os valores — sem juízo, apenas como referência para o leitor. A Voge SR3 é a de menor preço (R$ 33.880 na campanha das primeiras unidades), a XMAX 300 fica no centro (R$ 38.690) e a Zontes 368G é a mais cara (R$ 45.800). Ou seja, o trio cobre uma faixa ampla, e o “quanto custa” caminha lado a lado com “o que se leva em troca”: mais tecnologia e potência na ponta da Zontes, mais acessibilidade na da Voge, mais tradição e rede no meio, com a Yamaha.
Para cada perfil
Sem coroar vencedor — porque não há um —, vale resumir a quem cada uma conversa melhor. A Yamaha XMAX 300 é a escolha racional para quem valoriza marca consolidada, rede ampla, garantia longa e um pacote equilibrado sem sustos. A Zontes 368G fala com quem quer o máximo de desempenho e tecnologia e não se importa em pagar mais por isso, aceitando uma rede ainda em expansão. E a Voge SR3 atrai quem busca o melhor conjunto de equipamentos pelo menor valor, priorizando conforto e conteúdo sobre potência bruta. Três propostas, três públicos — e a decisão, como sempre, é sua.
Nota de segurança M.O.T.O.: as três trazem controle de tração, e a XMAX reforça o pacote com ABS nas duas rodas — itens de segurança ativa que fazem diferença no piso urbano escorregadio. Scooter engana pela facilidade: mesmo sem marchas, exige o EPI completo (capacete de boa procedência, jaqueta com proteções, luvas e calçado fechado) e atenção redobrada no trânsito, onde a maior parte dos acidentes urbanos acontece.













