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A Honda decidiu provar que estilo de moto grande cabe, sim, numa scooter de entrada. A marca apresentou na China a HooRide 125, desenvolvida pela joint venture Wuyang-Honda, que mistura o visual robusto das aventureiras com a eficiência de um motor de baixa cilindrada. O desenho bebe diretamente da fonte das ADV da casa, com farol de dupla cápsula, luzes diurnas em LED em formato de C, para-brisa fumê alto e um para-lama dianteiro que imita o “bico” das motos de aventura. A pegada é crossover, mas a vocação, deixa claro a Honda, é urbana.
O motor é velho conhecido
Por baixo da carenagem aventureira mora uma mecânica já consagrada. A HooRide 125 usa o mesmo propulsor da PCX 125: um monocilíndrico de 124,7 cm³, quatro válvulas e arrefecimento líquido, que entrega 11,2 cv e 11,7 Nm de torque. Os números são modestos, mas o destaque fica por conta do consumo: até 47,17 km/l, segundo dados homologados, com transmissão automática CVT pensada para suavidade. Com o tanque de 8,2 litros, isso se traduz em uma autonomia que pode passar de 380 km com um abastecimento — número e tanto para quem roda muito na cidade.
Equipamento que envergonha modelos maiores
Aqui está a parte que mais surpreende, e que diferencia a HooRide das rivais diretas. Mesmo na versão de entrada, ela traz partida sem chave, monitoramento de pressão dos pneus, painel TFT colorido de 5 polegadas com conectividade, entradas USB tipo A e C, cartão-chave por NFC e até uma barra exposta no guidão para fixar celular ou câmera. O porta-objetos sob o banco engole dois capacetes, e o para-brisa tem ajuste de duas posições. A configuração mais completa ainda adiciona ABS de dois canais e controle de tração — itens raros nesse segmento —, e o painel exibe até navegação, clima e altímetro. Há, inclusive, compatibilidade para conectar câmeras de ação DJI, um aceno claro ao público mais jovem e conectado.
Robustez testada — mas sem pretensão off-road
Apesar do visual parrudo, a Honda é honesta quanto ao propósito. As suspensões são simples e adequadas ao uso urbano: garfo telescópico na dianteira e dois amortecedores atrás, com freios a disco nas duas rodas e rodas de liga leve de 17 polegadas. Ainda assim, a fabricante reforça a durabilidade do conjunto, que passou por mais de 200 horas de testes de vibração em bancada e mais de 10 mil quilômetros de rodagem real. As medidas são equilibradas: assento a 760 mm do solo, 136 mm de altura livre e 125 kg em ordem de marcha. É uma scooter que veste a fantasia de aventureira para o trânsito, sem a intenção de encarar a trilha.
E no Brasil?
A pergunta é inevitável, e a resposta, por ora, é clara. Até o momento, a HooRide 125 é comercializada apenas na China, e não há indicação oficial de lançamento no Brasil. O modelo foi criado especificamente para o mercado chinês, e a própria estrutura da Wuyang-Honda — parceria entre a Honda e o grupo estatal chinês GAC — reforça esse foco regional. Vale o registro de que projetos nascidos nessa joint venture eventualmente inspiram ou abastecem outros mercados, mas nada foi anunciado nesse sentido. Por enquanto, a HooRide fica no campo da curiosidade internacional — uma amostra de como a Honda lê o apetite crescente por scooters de visual aventureiro, tendência que, essa sim, já chegou ao Brasil por outros caminhos. Resta acompanhar se a marca enxergará espaço para uma proposta













