Zontes 368G chega às lojas e inventa uma categoria: a scooter que quer encarar o chão

A Zontes 368G começou a desembarcar nas concessionárias brasileiras por R$ 45.800 (mais frete), inaugurando um segmento praticamente inexistente por aqui: o das scooters aventureiras de média cilindrada. Motor de 368 cm³ com 39 cv, suspensão invertida de longo curso, 180 mm de vão livre e até câmeras Full HD integradas compõem a proposta.

Brasil | Lançamentos

Depois de uma pré-venda que despertou interesse acima do esperado, a Zontes 368G começou a chegar às concessionárias de todo o país. E ela chega para ocupar um espaço que, até agora, simplesmente não existia no mercado brasileiro: o de uma scooter de média cilindrada preparada para sair do asfalto. A ideia soa estranha à primeira vista — scooter é sinônimo de cidade, de calçamento liso, de conveniência urbana. Só que, olhando para a realidade das estradas brasileiras, ela faz mais sentido do que parece.

Por que uma scooter aventureira faz sentido aqui

Vale lembrar um dado que já exploramos por aqui: cerca de 88% da malha viária brasileira não é pavimentada, segundo levantamentos da CNT. Numa realidade dessas, uma moto que combine a conveniência do câmbio automático com a capacidade de encarar um trecho de chão sem drama deixa de ser esquisitice e passa a ser proposta lógica. É exatamente aí que a 368G aposta: de um lado, a facilidade da transmissão CVT, sem embreagem nem marcha; do outro, uma ciclística preparada para piso irregular, estrada de terra e caminhos onde uma scooter convencional pediria para descer.

A ciclística denuncia a vocação

Basta olhar a moto para entender que ela não é uma scooter urbana com adesivo de aventura. O conjunto traz rodas raiadas para pneus sem câmara, aro 17 na dianteira e 14 na traseira, suspensão dianteira invertida de longo curso, amortecedores traseiros a gás, 180 mm de vão livre do solo e barras de proteção laterais — itens que qualquer dono de trail reconhece de imediato, e que praticamente não existem no universo das motonetas. O motor é um monocilíndrico de 368 cm³, com 39 cv e 4,1 kgf.m de torque, o que dá fôlego para estrada sem exigir do piloto a habilidade de uma moto grande.

Tecnologia de sobra — inclusive câmeras

A lista de equipamentos é o que mais chama atenção e reforça o posicionamento premium. A 368G traz ABS de dois canais com possibilidade de desligar a roda traseira para uso em piso de baixa aderência, controle de tração também desativável, para-brisa com ajuste elétrico, painel TFT colorido de oito polegadas com conectividade Zontes Smart, chave presencial, piloto automático, iluminação full-LED e quatro portas USB.

O item mais curioso, porém, é um sistema de câmeras Full HD integrado de fábrica. São duas, dianteira e traseira, que gravam em resolução de até 1.800p a 30 quadros por segundo, com armazenamento em cartão de até 128 GB. Além de registrar viagens, funciona como aliado de segurança — o tipo de recurso que, no trânsito brasileiro, muita gente instala por conta própria e que aqui já vem de série.

Completam o pacote tanque de 17,5 litros, faróis auxiliares, protetores de mãos, pedaleiras reclináveis e compartimento sob o banco com espaço para dois capacetes fechados.

Zontes 368GFicha técnica
MotorMonocilíndrico, 368 cm³
Potência39 cv
Torque4,1 kgf.m
CâmbioAutomático (CVT)
SuspensãoInvertida de longo curso (diant.); amortecedores a gás (tras.)
RodasRaiadas, aro 17 (diant.) e 14 (tras.), tubeless
Vão livre180 mm
FreiosABS 2 canais, com desligamento do traseiro
EletrônicaTCS desativável, TFT 8″, chave presencial, piloto automático, 4x USB, câmeras Full HD
Tanque17,5 litros
CoresPreta, cinza, marrom e verde
PreçoR$ 45.800 + frete
Garantia3 anos
RevisõesA cada 6.000 km (após 1.000 e 6.000 km)

Duas propostas, dois perfis

A chegada da 368G reorganiza o portfólio da marca no Brasil. Segundo Ricardo Kato, diretor comercial do Grupo J.Toledo — responsável pela operação da Zontes no país e que, como já mostramos, vem numa expansão acelerada de rede —, a 350E permanece como a opção de vocação touring, para quem prioriza conforto e viagem em ambiente urbano e rodoviário, enquanto a 368G foi criada para quem quer a mesma praticidade do câmbio automático, mas deseja explorar terrenos diferentes. Para Fernanda Toledo, diretora-executiva do grupo, o modelo inaugura uma categoria ao reunir a praticidade de uma scooter com características que permitem ir além do ambiente urbano.

Uma aposta que vale acompanhar

Inventar categoria é sempre um risco — o mercado pode abraçar ou simplesmente não entender a proposta. Mas há sinais favoráveis: a Zontes vem mostrando apetite por levar tecnologia sofisticada a segmentos onde ela não costuma aparecer, movimento que também observamos em sua linha internacional, e o brasileiro já provou gostar tanto de scooter quanto de trail. Juntar as duas coisas numa moto só é uma ideia que, no papel, conversa bastante com o nosso jeito de rodar. Se a conta fecha na prática, quem vai dizer são as vendas e, principalmente, os quilômetros. Fica o registro de uma novidade que, no mínimo, tem coragem de ser diferente.

Veja também

Desmistificar o motociclismo: por que ver gente comum andando de moto convence mais do que qualquer campanha publicitária.

Uma reflexão recente na imprensa internacional especializada levantou um ponto simples e poderoso: as pessoas não entram para o motociclismo por causa de campanhas grandiosas ou façanhas extraordinárias, mas por ver gente comum, parecida com elas, pilotando com naturalidade. Vale a pena pensar no que isso significa para a realidade brasileira — inclusive no papel nada inocente que boa parte dos influenciadores de moto tem cumprido no sentido contrário.

BMW R 12 G/S: o retrô que promete ir a qualquer lugar — e que já roda pelo Brasil, produzida em Manaus.

A imprensa americana testou a nova geração da BMW R 12 G/S nas trilhas da Califórnia, homenagem declarada à lendária R 80 G/S de mais de quatro décadas atrás. O resultado é uma aventureira grande, torcuda e capaz na terra, ainda que pesada demais para condições extremas. A boa notícia para o leitor brasileiro: a moto já está à venda por aqui, fabricada em Manaus, por R$ 105.900.

Honda ultrapassa 10 milhões de motos Flex fabricadas no Brasil — uma tecnologia que nasceu para resolver um problema genuinamente brasileiro.

A Honda superou a marca histórica de 10 milhões de motocicletas equipadas com a tecnologia bicombustível FlexOne produzidas no Brasil desde 2009. Hoje, cerca de 65% da produção nacional da marca já nasce flex, presente em nove modelos do portfólio. Entenda a trajetória dessa tecnologia e por que ela levou seis anos a mais para chegar às duas rodas depois dos carros.

Antes da Enel, foi a AES e o Método M.O.T.O.: a origem pouco contada do modelo que hoje leva motos ao atendimento emergencial em São Paulo.

A Enel Distribuição São Paulo ampliou seu programa de motoeletricistas para 112 profissionais, reduzindo em até 30% o tempo de resposta a emergências na rede elétrica da capital paulista. O que a notícia não conta é que a espinha dorsal desse modelo — pilotagem segura, protocolos de segurança e adaptação de equipamentos — nasceu em 2015, numa parceria pioneira entre a então AES Eletropaulo, hoje Enel SP, e o Método M.O.T.O.

VOGE chega ao Brasil mirando o segmento premium: duas big trails, dois scooters e produção em Manaus a partir de julho.

A chinesa VOGE estreia oficialmente no mercado brasileiro em julho com quatro modelos — as big trails 900DSX e 525DSX e os scooters SR4 Max e SR3 —, montados em Manaus em parceria com a Dafra. Com garantia de cinco anos e posicionamento premium, a marca do Grupo Loncin aposta em tecnologia e pós-venda para conquistar o consumidor. Os preços vão de R$ 35 mil a R$ 79 mil.

Desmistificar o motociclismo: por que ver gente comum andando de moto convence mais do que qualquer campanha publicitária.

Uma reflexão recente na imprensa internacional especializada levantou um ponto simples e poderoso: as pessoas não entram para o motociclismo por causa de campanhas grandiosas ou façanhas extraordinárias, mas por ver gente comum, parecida com elas, pilotando com naturalidade. Vale a pena pensar no que isso significa para a realidade brasileira — inclusive no papel nada inocente que boa parte dos influenciadores de moto tem cumprido no sentido contrário.

BMW R 12 G/S: o retrô que promete ir a qualquer lugar — e que já roda pelo Brasil, produzida em Manaus.

A imprensa americana testou a nova geração da BMW R 12 G/S nas trilhas da Califórnia, homenagem declarada à lendária R 80 G/S de mais de quatro décadas atrás. O resultado é uma aventureira grande, torcuda e capaz na terra, ainda que pesada demais para condições extremas. A boa notícia para o leitor brasileiro: a moto já está à venda por aqui, fabricada em Manaus, por R$ 105.900.

Honda ultrapassa 10 milhões de motos Flex fabricadas no Brasil — uma tecnologia que nasceu para resolver um problema genuinamente brasileiro.

A Honda superou a marca histórica de 10 milhões de motocicletas equipadas com a tecnologia bicombustível FlexOne produzidas no Brasil desde 2009. Hoje, cerca de 65% da produção nacional da marca já nasce flex, presente em nove modelos do portfólio. Entenda a trajetória dessa tecnologia e por que ela levou seis anos a mais para chegar às duas rodas depois dos carros.

Antes da Enel, foi a AES e o Método M.O.T.O.: a origem pouco contada do modelo que hoje leva motos ao atendimento emergencial em São Paulo.

A Enel Distribuição São Paulo ampliou seu programa de motoeletricistas para 112 profissionais, reduzindo em até 30% o tempo de resposta a emergências na rede elétrica da capital paulista. O que a notícia não conta é que a espinha dorsal desse modelo — pilotagem segura, protocolos de segurança e adaptação de equipamentos — nasceu em 2015, numa parceria pioneira entre a então AES Eletropaulo, hoje Enel SP, e o Método M.O.T.O.

VOGE chega ao Brasil mirando o segmento premium: duas big trails, dois scooters e produção em Manaus a partir de julho.

A chinesa VOGE estreia oficialmente no mercado brasileiro em julho com quatro modelos — as big trails 900DSX e 525DSX e os scooters SR4 Max e SR3 —, montados em Manaus em parceria com a Dafra. Com garantia de cinco anos e posicionamento premium, a marca do Grupo Loncin aposta em tecnologia e pós-venda para conquistar o consumidor. Os preços vão de R$ 35 mil a R$ 79 mil.