Brasil | Especial Festival Interlagos 2026
Poucas fabricantes entenderam tão bem quanto a Royal Enfield a arte de extrair muitas motos de poucas arquiteturas. No Festival Interlagos 2026, em vez de anunciar novas famílias, a marca indiana fez algo mais inteligente: mostrou três interpretações distintas de plataformas que o brasileiro já conhece, provando que ainda há bastante espaço para crescer sem reinventar a mecânica. E o timing não poderia ser mais simbólico — a companhia celebra em 2026 nada menos que 125 anos de história, marco que ganhou no autódromo uma comemoração à altura, com a ação #RideInterlagosRE125 reunindo proprietários e fãs em uma tentativa de juntar até 1.901 motocicletas na pista no dia 15 de agosto, número que remete a 1901, ano de nascimento da marca.

Goan Classic 350: a primeira bobber de fábrica
Das novidades que já entram em linha, a Goan Classic 350 é a mais marcante visualmente — e a que melhor traduz a estratégia de espremer o máximo de cada plataforma. Partindo da conhecida base J-Series, a Royal Enfield criou sua primeira bobber de fábrica na família 350, inspirada na atmosfera descontraída de Goa, região litorânea indiana. Não é uma Classic apenas repintada: a Goan ganha assento solo flutuante, banco do garupa removível, guidão elevado tipo ape hanger, para-lamas encurtados e pneus de faixa branca. O banco baixíssimo, a 750 mm do solo, favorece quem busca uma custom acessível e fácil no uso urbano. A mecânica é a receita conhecida da família 350 — monocilíndrico de 349 cm³ com 20,2 cv e 2,8 kgf.m e câmbio de cinco marchas —, aqui muito mais focada em estilo do que em desempenho. Chega nas cores Shack Black (R$ 26.490) e Trip Teal (R$ 26.990).

Guerrilla 450 Apex: a que quer fazer curva
Se a Goan aposta no estilo, a Guerrilla 450 Apex vai na direção oposta: quer esportividade. A nova configuração da roadster adota guidão de alumínio instalado cerca de 56 mm mais baixo, jogando o piloto para uma posição mais avançada e agressiva, além de carenagem dianteira exclusiva, capa para o banco traseiro e acabamentos próprios. A proposta é deixar a moto mais comunicativa nas trocas de direção e frenagens, sem transformá-la em uma esportiva radical. O motor é o consagrado Sherpa 450 — monocilíndrico de 452 cm³ refrigerado a líquido, com 40 cv e 4,1 kgf.m, câmbio de seis marchas e embreagem assistida e deslizante. Com cerca de 185 kg em ordem de marcha e banco a 780 mm, mantém dimensões amigáveis. Chega em setembro por R$ 30.490.

Himalayan 450 Mana Black: a mais aventureira da família
A terceira novidade extrai da mesma mecânica uma personalidade completamente distinta. A Himalayan 450 Mana Black é a interpretação mais radicalmente off-road da plataforma, e seu nome homenageia o Mana Pass, uma das estradas trafegáveis mais altas e isoladas do mundo — referência que não é só marketing. A moto recebe banco Rally mais estreito e elevado, a 860 mm, que facilita a pilotagem em pé, rodas raiadas tubeless de 21 polegadas na dianteira e 17 na traseira e protetores de mão reforçados. O Sherpa 450 mantém os 40 cv, mas aqui trabalha com suspensão dianteira invertida Showa, monoamortecedor traseiro, 200 mm de curso nas duas pontas e 230 mm de vão livre do solo. São 196 kg em ordem de marcha e tanque de 17 litros. Chega em setembro por R$ 33.490.
Os três lançamentos em números
| Item | Goan Classic 350 | Guerrilla 450 Apex | Himalayan 450 Mana Black |
|---|---|---|---|
| Estilo | Bobber | Roadster esportiva | Adventure off-road |
| Motor | Mono 349 cm³ (J-Series) | Mono 452 cm³ (Sherpa) | Mono 452 cm³ (Sherpa) |
| Potência | 20,2 cv | 40 cv | 40 cv |
| Torque | 2,8 kgf.m | 4,1 kgf.m | 4,1 kgf.m |
| Câmbio | 5 marchas | 6 marchas | 6 marchas |
| Rodas | — | — | Raiadas tubeless 21″/17″ |
| Suspensão | — | — | Invertida Showa, 200 mm |
| Altura do assento | 750 mm | 780 mm | 860 mm |
| Peso (ordem de marcha) | — | ~185 kg | 196 kg |
| Preço | R$ 26.490 / R$ 26.990 | R$ 30.490 | R$ 33.490 |
| Situação | À venda | Setembro | Setembro |
O futuro no mesmo estande: elétricas e as 750
Mais interessante ainda foi o que a Royal Enfield trouxe para além dos modelos de linha. A marca expôs duas versões de sua primeira motocicleta 100% elétrica, a Flying Flea — a C6, de uso urbano, e a S6, de pegada scrambler e off-road. O nome não é novo: resgata a “Flying Flea” original, uma moto leve o suficiente para ser lançada de paraquedas na Segunda Guerra Mundial, e agora batiza a estreia da fabricante no mundo dos elétricos, com plataforma inédita, garfo tipo girder e painel circular digital.
Havia ainda dois conceitos que apontam para cima. A GT-R 750 Concept, uma café racer esportiva, e a Adventure Concept Bike — nada menos que a versão big trail da Himalayan, associada ao novo projeto Himalayan 750. Ambas sinalizam um movimento estratégico relevante: a Royal Enfield prepara um novo motor bicilíndrico de 750 cm³, derivado do atual 650, para subir de patamar e brigar em segmentos de maior cilindrada. É a marca, tradicionalmente ancorada em 350 e 450 monocilíndricas, ensaiando um passo importante rumo às médias e grandes cilindradas — e, ao mesmo tempo, rumo à eletrificação.
Uma estratégia madura
No fim, as novidades da Royal Enfield contam uma história maior do que a soma de seus lançamentos. Com relativamente poucas arquiteturas mecânicas, a marca consegue oferecer de uma bobber despojada a uma roadster mais esportiva e a uma adventure preparada para a terra de verdade, enquanto, nos bastidores, desenvolve as 750 e as elétricas que definirão sua próxima década. Aos 125 anos, a indiana mostra que aprendeu a equilibrar as duas coisas que mais importam para uma marca centenária: honrar o passado e se preparar para o futuro.
Nota de segurança M.O.T.O.: as três novidades de linha trazem ABS como base de segurança ativa, e a Himalayan 450 Mana Black, de vocação off-road, é a que mais exige preparo do piloto — banco alto, peso relevante e terrenos difíceis pedem experiência. Seja na custom urbana, na roadster ou na adventure, vale a máxima de sempre: EPI completo (capacete, jaqueta e calça com proteções, luvas e botas adequadas) e respeito à curva de adaptação de cada moto.













