Ducati à venda? Entenda por que a Volkswagen colocou a joia de Borgo Panigale sob avaliação.

A Ducati entrou na revisão de portfólio do Grupo Volkswagen, e a possibilidade de venda foi confirmada pelo CEO da Audi, Gernot Döllner. Ainda assim, nada foi decidido: não há comprador nem processo formal em andamento. A fabricante italiana segue lucrativa e operando normalmente — mas o episódio reacende dúvidas sobre o futuro da marca.

Internacional | Mercado

Poucas notícias mexem tanto com o coração dos apaixonados por motocicletas quanto a possibilidade de uma lenda mudar de dono. E foi exatamente isso que veio à tona: a Ducati, a icônica fabricante de Borgo Panigale, está entre os negócios sob avaliação dentro do Grupo Volkswagen. Antes que o entusiasta se desespere, porém, é preciso separar o fato do alarde — porque, neste momento, a distância entre “estar sob avaliação” e “ser efetivamente vendida” ainda é considerável.

O que realmente foi confirmado

A informação ganhou força em 8 de setembro, quando agências internacionais de peso, como Bloomberg e Reuters, publicaram que a marca italiana figura no processo de revisão do conglomerado alemão. A confirmação oficial veio da própria cúpula: em entrevista, o CEO da Audi — que controla a Ducati desde 2012 —, Gernot Döllner, admitiu que a fabricante faz parte do processo de avaliação do grupo, mas foi categórico ao ressaltar que “nada foi decidido”. Ou seja, a Ducati está na mesa de discussões, mas não há qualquer decisão de desinvestimento tomada, tampouco comprador anunciado ou processo de venda formalizado.

Uma revisão gigantesca, e a Ducati é só uma peça

Para entender o contexto, é fundamental enxergar o quadro completo. A avaliação da Ducati não é um movimento isolado contra a marca de motos, e sim parte de uma reestruturação colossal. Segundo a Bloomberg, o Grupo Volkswagen analisa cerca de 600 negócios e participações dentro de um portfólio que reúne aproximadamente 2 mil ativos. O objetivo declarado é simplificar a estrutura do conglomerado e concentrar investimentos naquilo que considera estratégico — um exercício de enxugamento comum a grandes grupos que enfrentam a cara transição para a eletrificação. Nesse cenário, a possível saída da Ducati não significa que a Volkswagen tenha decidido abandonar as duas rodas; significa apenas que a marca está sendo pesada, como centenas de outras, na balança do que fica e do que sai.

Os números: uma marca que ainda dá lucro

Aqui está um ponto que torna a discussão ainda mais interessante: a Ducati não é um negócio deficitário. Muito pelo contrário. Em 2025, a fabricante registrou receita de 925 milhões de euros e lucro operacional de 52 milhões. É verdade que a margem operacional recuou, caindo de 9,1% em 2024 para 5,6% no ano passado, e que o primeiro semestre de 2026 — com receita de 489 milhões de euros e lucro operacional de 29 milhões, margem de 6% — veio abaixo do mesmo período do ano anterior. Mas o retrato geral é o de uma empresa que permanece rentável. Não se trata, portanto, de desovar um problema, e sim de decidir se uma operação lucrativa, porém de nicho, se encaixa na estratégia de longo prazo de um gigante automotivo.

Não é a primeira vez

Convém lembrar, também, que esse filme já passou antes. Em 2017, a Audi chegou a analisar a venda da Ducati, e o processo não avançou — a marca permaneceu no grupo e seguiu sua trajetória de sucesso, tanto em produtos quanto nas pistas, onde acumula títulos na MotoGP e no Mundial de Superbike. Aquela tentativa frustrada serve de lembrete de que estar na lista de avaliação não é o mesmo que ter destino selado.

O que uma eventual venda significaria

Especular sobre o futuro exige cautela, mas a pergunta é inevitável: o que mudaria para a Ducati sob um novo dono? Muito dependeria de quem fosse o comprador. Sob a Audi, a Ducati teve acesso a tecnologia de ponta, robustez financeira e sinergias de engenharia — inclusive no terreno da eletrificação, onde vem desenvolvendo projetos avançados apoiada na estrutura do grupo alemão. Um novo controlador poderia manter essa autonomia e esse patrimônio técnico, ou impor outra lógica de gestão. Para o consumidor e o fã, o que está em jogo é a preservação daquilo que torna a Ducati única: sua identidade italiana, sua obsessão por desempenho e sua alma esportiva. Marcas dessa envergadura são mais do que ativos em uma planilha — são patrimônios culturais do motociclismo.

Por ora, no entanto, o recado é de calma. A Ducati permanece sob o controle da Audi, mantém sua estratégia de produtos e competições e opera normalmente. O que existe, concretamente, é uma marca lendária em observação dentro de uma reestruturação bilionária — e uma história que promete novos capítulos nos próximos meses. Seguiremos acompanhando de perto.

Veja também

REVIEW: Rodei 135 km com a nova CB300F Twister 2027 em Vitória — e a naked de entrada cresceu de verdade.

A convite da Honda, fui até Vitória (ES) para testar a nova CB300F Twister 2027 em um trajeto de 135 km que misturou cidade, rodovia e estradinhas vicinais até um dos cenários mais bonitos do Espírito Santo, a região do Morro do Moreno. Voltei com a certeza de que a suspensão invertida e o pacote eletrônico transformaram a experiência da naked mais desejada do país. Contei tudo — inclusive o caminho.

Especial CB300F Twister 2027: tudo sobre a nova naked da Honda — e vamos a Vitória testá-la a convite da marca.

A Honda reformulou a CB300F Twister para 2027, trazendo suspensão dianteira invertida, controle de tração, ABS de série e a inédita versão esportiva S — tecnologia de moto grande na naked de entrada mais desejada do país. Entre os dias 23 e 25 de setembro, a equipe do Tô de M.O.T.O. TV estará em Vitória (ES), a convite da Honda, para colocar a nova Twister à prova. Em breve, traremos o review completo aqui.

A engrenagem em ritmo máximo: produção de motos tem o melhor resultado desde 2008 e o Brasil ruma para 2 milhões de unidades.

De janeiro a agosto de 2026, as fábricas de Manaus produziram mais de 1,45 milhão de motocicletas — o melhor desempenho para o período em 18 anos. Com vendas subindo 12,1% e exportações disparando mais de 30%, a indústria brasileira de duas rodas caminha para superar a marca de 2 milhões de unidades produzidas, patamar não alcançado desde 2011. Mergulhamos nos números.

KTM 690 Rally 2027: a monocilíndrica de expedição que promete o melhor dos dois mundos

A KTM revelou a 690 Rally 2027, uma trail de rali derivada da 690 Enduro R, com torre de navegação, 20 litros de autonomia e o motor LC4 de 77 cv em um conjunto de apenas 162 kg. Inspirada nos protótipos do Dakar, ela mira quem quer encarar longas travessias sem o peso das big trails bicilíndricas. Chega às concessionárias internacionais em outubro; o preço para o Brasil ainda não foi definido.

O cliente recomenda: Suzuki conquista selo inédito de satisfação e reforça o novo valor da experiência.

A Suzuki Motos do Brasil, representada pela J.Toledo, foi certificada com o selo “O Cliente Recomenda 2026”, concedido a marcas que superam a média de recomendação de seu segmento em uma avaliação independente. É a primeira vez que a fabricante ultrapassa a média de NPS da categoria de motocicletas — um sinal de como a experiência do cliente virou fator decisivo no mercado.

REVIEW: Rodei 135 km com a nova CB300F Twister 2027 em Vitória — e a naked de entrada cresceu de verdade.

A convite da Honda, fui até Vitória (ES) para testar a nova CB300F Twister 2027 em um trajeto de 135 km que misturou cidade, rodovia e estradinhas vicinais até um dos cenários mais bonitos do Espírito Santo, a região do Morro do Moreno. Voltei com a certeza de que a suspensão invertida e o pacote eletrônico transformaram a experiência da naked mais desejada do país. Contei tudo — inclusive o caminho.

Especial CB300F Twister 2027: tudo sobre a nova naked da Honda — e vamos a Vitória testá-la a convite da marca.

A Honda reformulou a CB300F Twister para 2027, trazendo suspensão dianteira invertida, controle de tração, ABS de série e a inédita versão esportiva S — tecnologia de moto grande na naked de entrada mais desejada do país. Entre os dias 23 e 25 de setembro, a equipe do Tô de M.O.T.O. TV estará em Vitória (ES), a convite da Honda, para colocar a nova Twister à prova. Em breve, traremos o review completo aqui.

A engrenagem em ritmo máximo: produção de motos tem o melhor resultado desde 2008 e o Brasil ruma para 2 milhões de unidades.

De janeiro a agosto de 2026, as fábricas de Manaus produziram mais de 1,45 milhão de motocicletas — o melhor desempenho para o período em 18 anos. Com vendas subindo 12,1% e exportações disparando mais de 30%, a indústria brasileira de duas rodas caminha para superar a marca de 2 milhões de unidades produzidas, patamar não alcançado desde 2011. Mergulhamos nos números.

KTM 690 Rally 2027: a monocilíndrica de expedição que promete o melhor dos dois mundos

A KTM revelou a 690 Rally 2027, uma trail de rali derivada da 690 Enduro R, com torre de navegação, 20 litros de autonomia e o motor LC4 de 77 cv em um conjunto de apenas 162 kg. Inspirada nos protótipos do Dakar, ela mira quem quer encarar longas travessias sem o peso das big trails bicilíndricas. Chega às concessionárias internacionais em outubro; o preço para o Brasil ainda não foi definido.

O cliente recomenda: Suzuki conquista selo inédito de satisfação e reforça o novo valor da experiência.

A Suzuki Motos do Brasil, representada pela J.Toledo, foi certificada com o selo “O Cliente Recomenda 2026”, concedido a marcas que superam a média de recomendação de seu segmento em uma avaliação independente. É a primeira vez que a fabricante ultrapassa a média de NPS da categoria de motocicletas — um sinal de como a experiência do cliente virou fator decisivo no mercado.