CFMOTO leva Red Dot Award com a 750SR-S — e o troféu foi buscar na Itália

A CFMOTO conquistou o Red Dot Award 2026, na categoria Product Design, com a esportiva 750SR-S, movida por um inédito quatro cilindros em linha de 749 cm³ e 111 cv. O troféu foi recebido em Essen, na Alemanha, pela equipe da Modena 40, centro europeu de P&D da marca localizado na Itália. O modelo não tem confirmação para o Brasil.

Internacional

Há reconhecimentos que valem mais como sinal do que como troféu. A CFMOTO acaba de conquistar o Red Dot Award 2026, na categoria Product Design, com a superesportiva 750SR-S — e o detalhe mais revelador dessa história não está no prêmio em si, mas em quem subiu ao palco para recebê-lo. A cerimônia aconteceu em Essen, na Alemanha, e o troféu foi entregue à equipe da Modena 40, o centro europeu de Pesquisa e Desenvolvimento da fabricante chinesa, instalado na Itália. Ou seja: uma marca chinesa premiada na Alemanha por um projeto desenvolvido em solo italiano.

O mapa-múndi que se desenha nas duas rodas

Esse arranjo não é acaso, e ele conta muito sobre o momento que a indústria atravessa. É na Modena 40 que a CFMOTO concentra o desenvolvimento dos modelos destinados aos mercados mais exigentes, reunindo engenheiros, designers e especialistas em dinâmica veicular. Vale lembrar que a mesma CFMOTO já fabrica, sob licença, a KTM 790 Duke — moto austríaca de projeto europeu, produzida na China. E, do outro lado do tabuleiro, temos a Moto Morini italiana sob controle chinês, a BMW de menor cilindrada saindo das linhas da indiana TVS, a KTM reorganizada pela Bajaj. Capital de um lado, design de outro, manufatura em um terceiro: as fronteiras nacionais das marcas viraram, cada vez mais, uma questão de logotipo.

A moto que rendeu o prêmio

A 750SR-S foi concebida para provar que forma e função podem caminhar juntas, e a lista de soluções sustenta isso. A carenagem foi desenvolvida em túnel de vento, com asas aerodinâmicas generosas para gerar downforce em alta velocidade, balança traseira monobraço e um chamativo sistema de escapamento quádruplo elevado — elementos que fazem dela uma das motos visualmente mais marcantes da atual geração da marca.

Sob a carenagem, a novidade é ainda maior. O motor é um inédito quatro cilindros em linha de 749 cm³, que entrega 111 cv e 8,16 kgf.m de torque — configuração cada vez mais rara nesta faixa, como já comentamos ao falar de outros tetracilíndricos do mercado. O pacote se completa com suspensão KYB totalmente ajustável, freios Brembo, ABS e controle de tração sensíveis à inclinação via plataforma inercial (IMU), quickshifter e painel TFT de 6,2 polegadas.

CFMOTO 750SR-SFicha técnica
Motor4 cilindros em linha, 749 cm³
Potência111 cv
Torque8,16 kgf.m
SuspensãoKYB totalmente ajustável
FreiosBrembo, ABS sensível à inclinação (IMU)
EletrônicaControle de tração com IMU, quickshifter, TFT 6,2″
DestaquesCarenagem em túnel de vento, asas aerodinâmicas, balança monobraço, escapamento quádruplo elevado

O que o Red Dot significa

Criado na década de 1950, o Red Dot Award é uma das maiores referências mundiais em design de produto. Anualmente, milhares de projetos são avaliados por um júri independente formado por especialistas internacionais, que analisam critérios como inovação, funcionalidade, ergonomia, sustentabilidade e qualidade de execução. Não é prêmio de beleza: é uma avaliação de projeto, e entrar nessa lista coloca o produto num grupo restrito de trabalhos que conseguem unir engenharia e estética em alto nível.

A mudança de patamar de uma marca

O reconhecimento simboliza bem a transformação que a CFMOTO vem promovendo. A fabricante deixou de ser vista apenas como alternativa de custo-benefício para se posicionar entre as marcas que mais investem em desenvolvimento global, elevando padrão de acabamento, tecnologia e desempenho. É uma trajetória que o mercado brasileiro acompanha de perto, já que a marca iniciou sua operação nacional há poucas semanas, com montagem em Manaus e planos de expansão de rede e portfólio.

E no Brasil?

Vale o esclarecimento direto: a 750SR-S não tem confirmação para o mercado brasileiro. Ela é uma vitrine tecnológica, um exercício de capacidade técnica destinado a mercados internacionais, e nada indica que esteja nos planos da operação nacional no curto prazo. O que o prêmio sinaliza, isso sim, é sobre o que a marca pretende para os próximos anos: disputar espaço não apenas pela etiqueta, mas por engenharia, inovação e identidade de projeto. E é justamente essa mudança de régua — de quem chega barato para quem chega bem-feito — que torna a corrida das próximas temporadas tão interessante de acompanhar. O tempo, e o pós-venda, seguem sendo os juízes finais.

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