BMW R 12 G/S: o retrô que promete ir a qualquer lugar — e que já roda pelo Brasil, produzida em Manaus.

A imprensa americana testou a nova geração da BMW R 12 G/S nas trilhas da Califórnia, homenagem declarada à lendária R 80 G/S de mais de quatro décadas atrás. O resultado é uma aventureira grande, torcuda e capaz na terra, ainda que pesada demais para condições extremas. A boa notícia para o leitor brasileiro: a moto já está à venda por aqui, fabricada em Manaus, por R$ 105.900.

Internacional | EUA

Há uma pergunta que ronda a BMW GS há décadas: será que a linha ficou grande e complexa demais, distante do espírito da R 80 G/S original que inventou o conceito de aventureira em 1980? A R 1300 GS, topo de linha atual, é luxuosa, rápida e tecnológica — e por isso mesmo, alvo constante de crítica de quem sente falta da simplicidade das origens. A R 12 G/S nasce como resposta direta a esse anseio: uma GS mais pura, mais simples, ainda que, como o teste revela, não exatamente pequena.

DNA emprestado, propósito renovado

Boa parte da mecânica vem diretamente do acervo da própria BMW. O motor é o boxer bicilíndrico de 1.170 cm³, refrigerado a ar e óleo, praticamente idêntico ao que já equipa toda a família R 12 e R nineT há mais de uma década. O braço oscilante Paralever e a transmissão final por cardã também são assinatura tradicional da casa, assim como retrovisores, painel e comandos, claramente extraídos do estoque de peças já existente da marca. A novidade mora mais no propósito e no desenho do que em componentes inéditos: um chassi tubular em treliça de aço, compartilhado com toda a família R 12, e uma proposta declarada de unir o visual histórico da G/S original a uma capacidade real de sair do asfalto.

Na estrada: um gigante inesperado

A primeira impressão registrada no teste foi de surpresa com o tamanho da moto. Com quase 1.600 mm de entre-eixos, altura de assento que pode passar de 890 mm na configuração testada (equipada com o pacote Enduro Pro e banco “Rally” mais alto) e peso medido em cerca de 240 kg nessa mesma configuração, a R 12 G/S está longe de ser uma aventureira compacta. Ainda assim, o motor boxer entrega aquele torque generoso e disponível cedo, característico da linhagem sport-touring da BMW, com uma personalidade mecânica que os testadores descreveram como satisfatoriamente rústica — motor que “conversa” um pouco mais alto e exala cheiro de óleo quente ao desligar, em contraste com a suavidade contida das motos mais modernas. Em estrada, porém, o guidão alto e largo expõe bastante o tronco do piloto ao vento em velocidades de rodovia, tornando viagens longas em alta velocidade menos confortáveis do que se esperaria.

Na trilha: surpreendentemente competente, com limites claros

É na terra que a moto revela sua dupla personalidade. Em trilhas mais fluidas, com buracos e ondulações moderadas, a R 12 G/S “engoliu” o terreno com folga, sustentando ritmo por quilômetros sem drama — ali, com controle de tração desligado ou usando o modo Enduro Pro, ela permite até deslizamentos controlados de traseira nas curvas. O problema aparece em terreno mais extremo: areia funda e ondulações grandes escancaram a limitação de peso da moto, e qualquer perda de aderência dianteira ganha outra gravidade quando o conjunto pesa mais de duzentos quilos. Saltos foram descritos como o verdadeiro ponto fraco, já que a suspensão, calibrada para absorver bem o uso misto, se mostrou rapidamente sobrecarregada quando as duas rodas deixam o chão ao mesmo tempo.

As reclamações do piloto de teste

Duas queixas específicas marcaram a avaliação. A primeira: ao se deslocar para a frente no banco em situações mais técnicas, a canela do piloto (1,88 m de altura) esbarrava no coletor de admissão do cilindro direito — um detalhe de ergonomia que chamou atenção justamente por parecer evitável. A segunda envolve o câmbio de seis marchas: mesmo funcionando bem com o quickshifter, a primeira marcha pareceu “alta” demais, levando o piloto a buscar a sétima em várias ocasiões — sinal de que a relação de transmissão poderia ser mais espaçada para acompanhar melhor o caráter fora de estrada da proposta.

O confronto inevitável com a Triumph

O teste original também traçou um paralelo direto com a principal rival do segmento, a Triumph Scrambler 1200 XE, e vale reportar essa comparação tal como formulada pelo autor. Segundo ele, a Triumph oferece mais curso de suspensão, entre-eixos mais curto, cerca de 9 kg a menos e preço-base inferior nos Estados Unidos, além de usar um motor desenvolvido especificamente para a linha retrô da marca britânica — diferente do boxer da BMW, reaproveitado de outras gerações. É uma opinião do jornalista responsável pelo teste americano, não uma conclusão nossa, mas vale o registro para quem pesquisa o segmento.

Especificações (conversão métrica)

ItemBMW R 12 G/S (teste EUA)
MotorBoxer 1.170 cm³, refrig. ar/óleo, 8 válvulas
Potência109 cv a 7.000 rpm
Torque~11,7 kgf.m a 6.500 rpm
Câmbio6 marchas, transmissão final por cardã
Suspensão diant.Marzocchi 45 mm, ajustável, 210 mm curso
Suspensão tras.Marzocchi, ajustável, 200 mm curso
Freio diant.Brembo, discos 310 mm, ABS
Freio tras.Brembo, disco 265 mm, ABS
Entre-eixos~1.585 mm
Altura do banco861–894 mm (conforme configuração)
Tanque15,5 litros
Peso (testada, com pacotes)~240 kg
Preço testado (EUA, com opcionais)US$ 20.910

E no Brasil? Já está à venda — e nacional

Aqui a notícia é ainda melhor para o leitor brasileiro: a R 12 G/S não é promessa, é realidade. A BMW Motorrad lançou o modelo oficialmente no Brasil no início de 2026, com produção na fábrica de Manaus — que hoje responde por praticamente todo o portfólio da marca no país. O preço sugerido é de R$ 105.900, disponível inicialmente em configuração única, na cor branca com banco vermelho, equipada com suspensões ajustáveis, ABS Pro, controle de tração dinâmico, assistente de troca de marchas (quickshifter) e rodas raiadas de 21 e 17 polegadas. A marca também lançou uma versão especial Option 719, limitada a 60 unidades no país, por R$ 113.900. A chegada da R 12 G/S marcou, à época, o encerramento do ciclo de lançamentos programado para a planta de Manaus naquele ciclo, reforçando o papel estratégico da fábrica brasileira dentro da operação global da BMW Motorrad.

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