Brasil | Mercado Nacional
Poucas categorias do mercado nacional contam uma história tão dividida quanto as trails. De um lado, um gigante segue absolutamente sozinho no topo, décadas à frente da concorrência. Do outro, uma disputa apertadíssima entre marcas de peso muda de liderança e revela um dos fenômenos mais interessantes do motociclismo brasileiro recente. Os números consolidados pela Fenabrave para o primeiro semestre de 2026 escancaram esse contraste — e merecem uma leitura além da simples lista de posições.

A Bros e um domínio que beira o inexplicável
Não existe exagero em dizer que a Honda NXR 160 Bros ocupa uma categoria à parte dentro do próprio segmento que lidera. Com 98.744 unidades emplacadas apenas nos seis primeiros meses do ano, ela não apenas venceu: multiplicou por mais de três vezes o resultado da vice-líder, a também Honda XRE 190, com 27.381 unidades. Para efeito de comparação, a Bros sozinha superou a soma de praticamente todo o restante do pódio Trail/Fun junto.
A explicação para esse domínio raramente está na ficha técnica mais sofisticada, e sim numa fórmula que a Honda aperfeiçoou ao longo de décadas: mecânica simples e à prova de erro, consumo baixo, peças baratas e disponíveis em qualquer canto do país, e uma rede de assistência que nenhuma concorrente conseguiu igualar. A Bros carrega ainda um atributo decisivo no Brasil de hoje: é a moto de trabalho por excelência, item essencial para entregadores e motofretistas, um público que despreza frescura e valoriza confiabilidade acima de qualquer equipamento. Quando a ferramenta de ganha-pão de milhões de brasileiros tem nome e sobrenome, a concorrência simplesmente briga por outro campeonato.

Chinesas e a nova geração de entrada
Vale reparar também em quem ocupa as posições intermediárias do ranking, porque ali mora uma mudança silenciosa. A Shineray SHI 175 aparece em 5º lugar, com 15.801 unidades, e a Shineray SHI 250 soma mais 4.678 no décimo posto — uma marca chinesa que, poucos anos atrás, seria vista como coadjuvante e hoje disputa de igual para igual com nomes tradicionais. Também chama atenção a Avelloz AZ160, em 8º lugar, com 6.290 unidades: uma fabricante brasileira, sediada em Pernambuco, que monta e distribui motos majoritariamente de origem chinesa e que já se tornou, com poucos anos de operação, um nome relevante no ranking nacional — inclusive fora do segmento trail. É o retrato de um mercado de entrada cada vez mais pulverizado, em que preço competitivo e presença regional forte, sobretudo no Nordeste, já bastam para conquistar espaço relevante.
Ranking completo — Trail/Fun (jan-jun/2026)
| Posição | Modelo | Emplacamentos |
|---|---|---|
| 1º | Honda NXR 160 Bros | 98.744 |
| 2º | Honda XRE 190 | 27.381 |
| 3º | Honda XRE 300 | 21.112 |
| 4º | Yamaha XTZ 250 Lander | 20.897 |
| 5º | Shineray SHI 175 | 15.801 |
| 6º | Yamaha Crosser 150 | 13.744 |
| 7º | Honda XR 300L | 7.722 |
| 8º | Avelloz AZ160 | 6.290 |
| 9º | Shineray SHI 250 | 4.678 |
| 10º | Shineray Storm 200 | 1.957 |
Um detalhe que passa despercebido: das dez posições, seis pertencem a marcas fora do trio Honda-Yamaha-tradicionais — sinal de que, na base da pirâmide, a disputa por preço e proposta direta já não é mais exclusividade das gigantes.

Maxtrail: o segmento onde ninguém está seguro
Se as trails de entrada são um monólogo, as maxtrails são um verdadeiro debate. Nesse território, a Royal Enfield Himalayan assumiu a ponta com 3.610 unidades, superando rivais de peso histórico como Honda, BMW, Triumph e Yamaha — uma inversão que seria difícil de prever há poucos anos, quando o segmento de grandes aventureiras parecia território cativo das marcas europeias e japonesas.
O que sustenta essa ascensão não é mistério, e já exploramos aqui o fenômeno por trás dela: motor com fôlego real para viagem, postura confortável tanto na cidade quanto na estrada de terra, e uma comunidade de proprietários que transformou a compra de uma Himalayan em porta de entrada para um estilo de vida, não apenas uma transação comercial. Logo atrás, a Honda NX 500 garante o segundo lugar com 3.226 unidades, provando que a receita de confiabilidade e rede que funciona nas pequenas cilindradas também sustenta resultado nas maiores. A BMW R 1300 GS Adventure fecha o pódio com 1.603 emplacamentos, enquanto Honda NC 750X (1.491) e Triumph Tiger 900 (1.478) travam uma disputa acirrada pela quarta posição — a diferença entre elas é de meros 13 motos no semestre inteiro. A recém-chegada Yamaha Ténéré 700 já aparece com 1.067 unidades, uma estreia respeitável para um modelo ainda em fase de consolidação de rede no país.
Ranking completo — Maxtrail (jan-jun/2026)
| Posição | Modelo | Emplacamentos |
|---|---|---|
| 1º | Royal Enfield Himalayan | 3.610 |
| 2º | Honda NX 500 | 3.226 |
| 3º | BMW R 1300 GS Adventure | 1.603 |
| 4º | Honda NC 750X | 1.491 |
| 5º | Triumph Tiger 900 | 1.478 |
| 6º | Yamaha Ténéré 700 | 1.067 |
| 7º | BMW R 1300 GS | 949 |
| 8º | Triumph Tiger 1200 | 802 |
| 9º | BMW F 900 GS | 789 |
| 10º | Honda CRF 1100L Africa Twin | 763 |
O que os dois rankings, juntos, revelam
Colocando as duas tabelas lado a lado, emerge um retrato bastante nítido do motociclista trail brasileiro. Na base da pirâmide, onde a moto é ferramenta de trabalho e transporte essencial, confiabilidade, rede de assistência e custo de manutenção decidem tudo — e é exatamente aí que a Honda constrói sua fortaleza inexpugnável, com a Bros como símbolo maior. No topo da pirâmide, onde a compra é motivada por lazer, viagem e identidade, a disputa se abre: a experiência de marca, a comunidade em torno do produto e a proposta emocional pesam tanto quanto ficha técnica, espaço que a Royal Enfield soube ocupar com inteligência.
Com o segundo semestre ainda por vir, a tendência é de que a liderança da Bros permaneça inalcançável — não há sinal de esgotamento numa fórmula tão consolidada. Já entre as maxtrails, a disputa promete seguir acirrada até dezembro, com margens tão pequenas entre vários modelos que qualquer lançamento ou promoção pode reembaralhar o pódio. Para quem está namorando uma Bros, uma XRE ou qualquer outra Honda da lista, vale a dica: a Mila Moto, concessionária Honda de Jundiaí, Itupeva e Itatiba, é referência em pós-venda e oferece uma experiência de test ride que ajuda muito na hora de sentir qual trail realmente combina com o seu uso. Vale conhecer o trabalho deles em www.milamoto.com.br.













