Honda ultrapassa 10 milhões de motos Flex fabricadas no Brasil — uma tecnologia que nasceu para resolver um problema genuinamente brasileiro.

A Honda superou a marca histórica de 10 milhões de motocicletas equipadas com a tecnologia bicombustível FlexOne produzidas no Brasil desde 2009. Hoje, cerca de 65% da produção nacional da marca já nasce flex, presente em nove modelos do portfólio. Entenda a trajetória dessa tecnologia e por que ela levou seis anos a mais para chegar às duas rodas depois dos carros.

Brasil | Mercado Nacional

Há tecnologias que se tornam tão comuns que o motociclista brasileiro nem repara mais nelas — e a flex é uma delas. A Honda acaba de anunciar a superação da marca de 10 milhões de motocicletas equipadas com o sistema bicombustível FlexOne fabricadas no país, um marco que resume duas décadas de adaptação da engenharia da marca à realidade única do combustível brasileiro. Hoje, gasolina e etanol dividem o tanque de boa parte da frota nacional da Honda, e poucos param para pensar no tanto de desenvolvimento que essa naturalidade escondeu.

Seis anos de atraso que fizeram sentido

Vale lembrar um detalhe que a euforia do marco pode ofuscar: a tecnologia flex chegou às motos bem depois de já estar consolidada nos carros. O sistema bicombustível virou realidade nas quatro rodas brasileiras em 2003, mas as duas rodas só receberam sua primeira flex de produção em larga escala em 2009, com o lançamento da CG 150 Titan Mix. Esse hiato não foi acaso nem lentidão: adaptar um motor de motocicleta para conviver bem com dois combustíveis de características tão diferentes exige resolver desafios que o motor automotivo, maior e com mais espaço para redundância, enfrenta com folga maior. Partida a frio com etanol puro em dias mais frios, resistência à corrosão de componentes internos e ajuste fino de injeção para manter a mesma resposta em qualquer proporção de mistura são apenas alguns dos obstáculos que a engenharia precisou vencer numa mecânica muito mais compacta.

Foi justamente a CG, moto mais vendida da história do país e que completou 50 anos em 2026, quem carregou a responsabilidade de estrear essa tecnologia — coerente com seu papel histórico de sempre ser a porta de entrada das grandes inovações da marca para o motociclista brasileiro.

Uma frota que hoje já nasce majoritariamente flex

O avanço da tecnologia ao longo dos anos foi silencioso, mas constante. Atualmente, cerca de 65% de tudo o que a Honda produz no Brasil já sai de fábrica com o sistema FlexOne, presente em nove modelos de diferentes segmentos e volumes de venda — da cidade à trilha, do trabalho ao lazer.

ModeloSegmento
Biz 125Popular/urbana
CG 160 TitanPopular/urbana
CG 160 FanPopular/urbana
CG 160 CargoUtilitária/carga
NXR 160 BrosTrail de entrada
XRE 190Trail
XRE 300 SaharaTrail
XR300L TornadoTrail off-road
CB 300F TwisterNaked esportiva

A presença em praticamente todos os segmentos mostra que a flex deixou de ser diferencial de nicho para virar espinha dorsal da linha nacional. Toda essa produção sai do Polo Industrial de Manaus, unidade responsável por fabricar as motocicletas destinadas ao mercado brasileiro e que carrega, portanto, boa parte do peso industrial dessa conquista.

O que a tecnologia entrega na prática

Para o motociclista, o ganho mais direto é a liberdade de escolha. Poder abastecer com gasolina ou etanol conforme o preço, a disponibilidade no posto ou a necessidade do momento dá ao dono um controle sobre o custo de rodagem que simplesmente não existe numa moto monocombustível — sem qualquer alteração perceptível na experiência de pilotagem entre uma opção e outra. Num país de dimensões continentais e preços de combustível que variam bastante entre regiões e épocas do ano, essa flexibilidade deixou de ser luxo e virou vantagem competitiva de verdade.

Há também a camada ambiental do avanço, que a própria Honda faz questão de destacar. Segundo a fabricante, o uso do etanol contribui para a redução das emissões de CO₂, e a tecnologia se insere na estratégia mais ampla da marca rumo à neutralidade de carbono. Para Marcos Bento, Head Comercial da Honda Motos, ultrapassar as 10 milhões de unidades reflete a capacidade da indústria nacional de inovar com foco no cliente, entregando soluções alinhadas à realidade brasileira.

Uma conquista genuinamente nacional

Vale o registro final: a flex não é tecnologia importada e adaptada, é solução desenvolvida especialmente para as características do mercado brasileiro, num país que é, ao mesmo tempo, um dos maiores produtores de etanol do mundo e um dos mercados de duas rodas mais relevantes do planeta. Os 10 milhões de unidades fabricadas ao longo de quase duas décadas são, no fim, um retrato de como a engenharia da Honda aprendeu a pensar em português — resolvendo um problema de combustível que é, literalmente, único do Brasil.

E para quem quer sentir essa tecnologia de perto antes de decidir qual das nove flex leva para casa, vale um bom test ride em pista de verdade: a Mila Moto, concessionária Honda de Jundiaí, Itupeva e Itatiba, é reconhecida justamente por oferecer essa experiência diferenciada, além de um pós-venda que dá tranquilidade para quem vai rodar milhares de quilômetros trocando entre gasolina e etanol ao longo dos anos. Vale conhecer o trabalho deles em www.milamoto.com.br.

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