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Poucos nomes carregam tanto peso na história recente da BMW quanto “F 650 GS”. E ele pode estar prestes a voltar. Fotos de espionagem de um protótipo em fase de testes revelam que a BMW Motorrad trabalha em uma nova motocicleta GS de média cilindrada, equipada com um motor de dois cilindros paralelos e desenhada com clara vocação para o fora de estrada. O projeto ainda está em estágio inicial — a chegada ao mercado não é esperada antes de 2028 —, mas já é suficiente para agitar os fãs da marca e do segmento aventureiro.
O que o protótipo revela
O visual flagrado nas imagens não deixa dúvidas sobre a intenção: enfrentar as médias mais capazes fora do asfalto. O para-brisa de estilo rali, o tanque elevado e o escapamento alto lembram bastante a Yamaha Ténéré 700, referência do segmento. O conjunto ciclístico reforça a leitura — chassi de aço, rodas raiadas de 21 polegadas na dianteira e 18 na traseira, grande distância do solo, suspensão de longo curso, protetor de cárter, pedaleiras robustas e ergonomia pensada para a pilotagem em pé. Tudo aponta para uma trail de verdade, e não para uma aventureira mais rodoviária.
O motor permanece um mistério, e é aqui que mora a parte mais intrigante. A potência deve se situar entre os 47 cv da F 450 GS e os 103 cv da F 900 GS, e o propulsor visto nas imagens não parece corresponder a nenhuma unidade atualmente usada pela BMW — o que sugere um motor completamente novo. Há indícios de que a marca aposte em um bicilíndrico com virabrequim de 270 graus, configuração hoje consagrada nas médias aventureiras justamente por entregar caráter e tração próximos aos de um motor em V.
A herança de um nome fundador
Reviver a etiqueta F 650 GS não seria um gesto qualquer. Foi com o nome F 650 que a BMW, lá em 1993, deu um passo decisivo para democratizar o conceito GS. A primeira geração, com as versões Funduro e Strada, marcou o retorno da marca aos monocilíndricos e à transmissão por corrente, com um motor Rotax de 652 cm³. Em 2000, a F 650 GS assumiu de vez a vocação dupla — o próprio significado da sigla GS, de Gelände/Straße, “fora de estrada/rua” — e ganhou fama de confiável, versátil e fácil de pilotar, tornando-se a queridinha de viajantes, aventureiros e iniciantes. Em 2008, o nome foi reaproveitado, de forma até controversa, em uma versão bicilíndrica de 798 cm³, mais rodoviária, antes de sair de linha por volta de 2013. Trazer a F 650 GS de volta seria, portanto, resgatar um DNA de acessibilidade e versatilidade que ajudou a construir o império GS.
A lacuna que a BMW precisa preencher
O movimento faz todo sentido quando se olha a gama atual da marca. Hoje, a linha média da BMW tem a novata F 450 GS na base, de vocação mais leve, e as encorpadas F 800 GS e F 900 GS logo acima — ambas construídas sobre o robusto motor de 895 cm³ e com perfil que pende para o turismo e a estrada. Falta, no meio desse espaço, uma média genuinamente focada no off-road, mais leve e crua, do tipo que o público aventureiro tanto pede. É exatamente essa lacuna que a nova 650 (ou 700) parece destinada a ocupar. Vale um contexto de bastidor: a BMW já apoia sua linha média em parceiros asiáticos — a F 450 GS é produzida com a indiana TVS, e o motor das F 800/F 900 GS é fabricado pela chinesa Loncin sob supervisão alemã —, o que dá à marca flexibilidade para desenvolver um novo propulsor de forma competitiva.
O alvo: o segmento mais quente do momento
Não é coincidência que a BMW mire esse nicho agora. As médias aventureiras vivem seu auge, e a briga por elas está cada vez mais acirrada. A eventual F 650 GS teria como rivais diretas nomes de respeito como a Yamaha Ténéré 700, a Aprilia Tuareg 660 e a Ducati DesertX — todas apostando na fórmula da capacidade off-road real em uma cilindrada intermediária. A entrada de um peso-pesado como a BMW nesse território é, por si só, um atestado de quão relevante o segmento se tornou. E o timing conversa com o que se espera de uma ampla renovação da linha da marca nos próximos anos.
O que ainda não se sabe
Cabe a ressalva de sempre: nada está confirmado. O projeto é embrionário, a BMW não se pronunciou sobre as imagens e detalhes como cilindrada exata, potência final e nome definitivo permanecem em aberto. O que se tem, por ora, é um protótipo promissor e um forte indício de estratégia. Para o mercado brasileiro, onde a BMW mantém presença sólida e produção em Manaus, e onde a febre das aventureiras não para de crescer, uma média GS de vocação off-road seria mais do que bem-vinda. Resta acompanhar — e, quem sabe, torcer para que um dos nomes mais queridos da história recente da marca volte a rodar na terra.












