MXF muda de patamar: fábrica em Manaus, rede própria e exportação redesenham a marca off-road brasileira.

Após 18 anos montando seus produtos no exterior, a MXF anunciou uma fábrica própria em Manaus, com investimento superior a R$ 10 milhões e capacidade para 30 mil unidades por ano a partir de 2027. O movimento faz parte de um plano maior de verticalização, que inclui rede de lojas monomarca, novos produtos e a chegada da marca ao mercado internacional.

Brasil | Indústria

Existe um momento na trajetória de toda marca nacional em que ela decide deixar de apenas vender para começar a produzir. Para a MXF, maior empresa 100% off-road do mercado brasileiro, esse momento chegou. Depois de 18 anos de atuação, com sede e desenvolvimento em Curitiba, mas montagem realizada na China por meio de parceiros, a companhia anunciou um pacote de investimentos que muda seu patamar — e que tem como peça central uma fábrica própria em solo brasileiro.

A nacionalização da produção

O anúncio mais significativo está na manufatura. A MXF Group vai investir mais de R$ 10 milhões em uma unidade fabril própria em Manaus, com início de operações previsto para 2027 e capacidade projetada para até 30 mil unidades por ano, entre motocicletas de performance e quadriciclos 4×4. A planta funcionará no sistema CKD — a montagem final feita a partir de conjuntos desmontados — e já tem projeto aprovado na SUFRAMA, órgão que administra os incentivos do Polo Industrial de Manaus. É uma mudança de fundo no modelo de negócio: até aqui, a MXF desenvolvia e testava seus veículos no Brasil — suspensões, componentes e calibração de injeção definidos internamente —, mas dependia da montagem no exterior. Levar essa etapa para o Amazonas nacionaliza a produção e, segundo a empresa, garante a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Um endereço estratégico

A escolha de Manaus não é por acaso. Ao instalar sua fábrica no polo amazônico, a MXF entra em um seleto grupo que já reúne praticamente todas as grandes fabricantes que atuam no país, atraídas pelos incentivos fiscais e pela cadeia industrial consolidada da Zona Franca. A estrutura foi dimensionada para começar a operar com um portfólio entre 15 e 20 modelos, e projetada para acompanhar o crescimento que a companhia estima para os próximos quatro anos. É uma aposta de fôlego, que sinaliza confiança em um segmento off-road em expansão no Brasil.

Um portfólio em plena renovação

A fábrica é o alicerce, mas a expansão vai além dela. Ao longo de 2026, a MXF acelerou a renovação de sua linha. A marca — que carrega um forte DNA de competição, com títulos no Campeonato Brasileiro de Enduro da FIM e patrocínio ao Brasileiro de Motocross — estreou no motocross com a 270 MXI, sua primeira moto dedicada exclusivamente à modalidade, subindo mais um degrau na escala de performance. Ampliou a oferta de modelos off-road, reforçou a parceria com o grupo chinês Loncin — uma das maiores fabricantes de motores do mundo — incorporando novos ATVs e UTVs, e deu seus primeiros passos na eletrificação com a Ark 8, sua moto 100% elétrica de uso recreativo. Como vitrine tecnológica, apresentou ainda um protótipo de motocicleta dois tempos equipado com injeção eletrônica e componentes premium — uma solução moderna que busca aliar a leveza característica do dois-tempos às exigências atuais de emissões, ainda sem previsão de lançamento.

Da distribuição ao controle total

A estratégia de verticalização também redesenha a forma como a MXF chega ao consumidor. Depois de construir uma das maiores redes do país, com mais de 400 pontos de venda espalhados por todos os estados, a empresa trabalha agora na criação de uma rede de flagships monomarca. A ideia é complementar a atual operação multimarcas com lojas padronizadas, ganhando controle sobre showroom, identidade visual e experiência de compra — algo que só marcas maduras conseguem sustentar.

E há ainda a fronteira internacional. A MXF já iniciou a comercialização de sua linha de motos off-road de performance na Costa Rica e negocia novas operações em outros países da América Latina e da América do Norte, com o mercado dos Estados Unidos entre os alvos em estudo. Segundo Renato Prudente, CEO do MXF Group, 2026 funciona como um ano de estruturação, preparando o terreno para um novo ciclo de expansão.

Os números do plano

FrenteDetalhe
InvestimentoMais de R$ 10 milhões
FábricaManaus (AM), sistema CKD, início em 2027
CapacidadeAté 30 mil unidades/ano (motos e quadriciclos)
Portfólio inicial15 a 20 modelos
Rede atualMais de 400 pontos de venda em todos os estados
Próximo passo no varejoRede de lojas monomarca (flagships)
InternacionalCosta Rica (em curso); América Latina e EUA (em estudo)

No conjunto, o plano da MXF conta a história de uma marca que amadureceu. Nascida e criada no universo off-road nacional, ela passa agora a controlar as três pontas do próprio negócio — produzir, vender e exportar. Se a execução acompanhar a ambição, o Brasil pode estar assistindo ao nascimento de uma fabricante nacional de peso em um segmento historicamente dominado, na alta performance, por marcas importadas. É o tipo de movimento que, para o motociclista off-road, tende a significar mais opções e mais acesso — exatamente o que um mercado em crescimento pede.

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