Internacional | MotoGP
Há coincidências que parecem roteirizadas. No ano em que completa um século de história, a Ducati escolheu a pista de Donington Park para escrever mais um capítulo de sua hegemonia: a marca italiana assegurou, de forma antecipada, seu 22º título de Construtores no Campeonato Mundial de Superbike. Não é apenas mais um troféu na estante — é a confirmação de um domínio que praticamente não tem paralelo no automobilismo e no motociclismo de competição.
A superbike que virou sinônimo de vitória
O que sustenta essa conquista é a continuidade de um projeto vencedor. A Panigale V4 R chega ao quinto título consecutivo de Construtores desde sua estreia triunfal na categoria, e esse desempenho não nasceu do acaso. Ele é o ponto atual de uma linhagem de superbikes que atravessa a história do WorldSBK — da lendária 888 às icônicas famílias 916, 996, 998, 999, 1098 e 1198, até a atual V4 R. Cada uma dessas motos deixou sua marca na categoria, e a mais recente apenas honra uma tradição de engenharia que virou sinônimo da própria Superbike.
Uma temporada quase perfeita
A campanha de 2026 teve nome e sobrenome. Nicolò Bulega — que já mencionamos por aqui ao noticiar sua vitória avassaladora na corrida de campeões da World Ducati Week — protagonizou um ano praticamente impecável na equipe Aruba.it Racing, com apoio decisivo de Iker Lecuona. Juntos, a dupla somou 24 vitórias e 44 pódios, números que também renderam à equipe o título por equipes, igualmente o quinto de sua história e o quinto consecutivo. É o tipo de temporada que transforma domínio em rotina.
Números que assustam a concorrência
Para dimensionar o tamanho da hegemonia, basta olhar o acervo histórico da marca na categoria:
| Ducati no Mundial de Superbike | Marca |
|---|---|
| Títulos de Construtores | 22 |
| Títulos de Pilotos | 16 |
| Vitórias | 473 |
| Pódios | 1.258 |
São cifras que, sozinhas, contam a história de qual fabricante mais moldou o Mundial de Superbike ao longo das décadas.
A engenharia por trás do troféu
Segundo Luigi Dall’Igna, diretor-geral da Ducati Corse, a conquista reflete o trabalho conjunto entre engenharia, equipes e pilotos. O executivo destacou que a Panigale V4 R mantém um equilíbrio raro entre desempenho, confiabilidade e competitividade, fruto de um projeto tecnicamente refinado de forma contínua. Ele fez questão de creditar também o trabalho da estrutura liderada por Stefano Cecconi e Marco Zambenedetti, apontada como fundamental para manter a marca no topo nos últimos cinco anos.
Cem anos, e o motor ainda a todo vapor
No fim, esse título é a moldura perfeita para o centenário que a Ducati vem celebrando ao longo de todo o ano — das comemorações da World Ducati Week ao domínio que ela exerce simultaneamente no MotoGP e no WorldSBK. Poucas marcas conseguem chegar aos 100 anos ainda no auge, ganhando no presente com a mesma força com que construíram o passado. A Ducati, ao que tudo indica, não pretende usar a data para olhar no retrovisor. Ela prefere comemorar do jeito que sempre soube fazer melhor: vencendo. E, a julgar pela hegemonia da Panigale V4 R, o próximo século começa com ela na frente.













