Honda CB 650R E-Clutch 2027: o que muda, como funciona — e como ela se comporta na estrada.

A Honda atualizou a CB 650R E-Clutch para 2027 com novas cores e preço sugerido de R$ 59.560, mantendo intacto o que a torna especial: o motor quatro cilindros em linha de 86,7 cv e o sistema E-Clutch, que dispensa a alavanca de embreagem. Rodamos com ela e contamos como é a experiência.

Brasil | Mercado Nacional

A linha 2027 da CB 650R chega sem revolução, e talvez seja exatamente esse o ponto. A naked desembarca nas concessionárias em julho com preço sugerido de R$ 59.560, com base no estado de São Paulo, e a principal novidade fica por conta da nova paleta de cores: Vermelho Victory Red, Azul Perolizado Pearl Caraiva Blue e Cinza Metálico Una Gray Metallic. O valor representa um reajuste de cerca de 2% sobre o modelo anterior, e a moto mantém a garantia de três anos sem limite de quilometragem, além do programa Honda Assistance, que cobre o Brasil e mais cinco países da América do Sul. Mecanicamente, segue fiel à geração atual.

O coração que insiste em existir

Num mundo em que quase toda naked média virou bicilíndrica ou, no máximo, de três cilindros, a CB 650R carrega uma raridade preciosa. Seu motor é um quatro cilindros em linha, DOHC, arrefecido a líquido, de 649 cm³, que entrega 86,7 cv a 12.000 rpm e 5,8 kgf.m a 9.500 rpm. Os números, sozinhos, não contam a história toda. O que esse propulsor oferece, e poucos na faixa conseguem replicar, é o caráter: a entrega que cresce conforme o giro sobe e culmina naquele ronco agudo, quase de moto de pista, que é marca registrada dos tetracilíndricos da Honda. É um motor que pede para ser girado, e recompensa quem o faz.

Como funciona o E-Clutch, na teoria e na prática

O grande diferencial tecnológico continua sendo o sistema de embreagem eletrônica. O E-Clutch usa sensores e atuadores para controlar o acionamento da embreagem automaticamente, permitindo trocar e reduzir marchas apenas com o pedal de câmbio, sem tocar na alavanca. Não confunda com um câmbio automático: a moto continua tendo marchas e pedal, mas a tarefa de “puxar a manete” some. E, para quem prefere o método tradicional, o sistema pode ser desligado a qualquer momento, devolvendo o acionamento manual. É liberdade dos dois jeitos — e isso é o melhor da ideia.

Ciclística e equipamentos

A base que segura tudo isso é típica de moto séria. O chassi é do tipo Diamond, em aço, com garfo invertido Showa SFF-BP de 41 mm na dianteira e amortecedor Showa com ajuste de pré-carga atrás. A frenagem fica por conta de pinças radiais de quatro pistões em discos flutuantes de 310 mm na frente e disco de 240 mm na traseira, com ABS de dois canais de série. Completam o pacote a iluminação full-LED, o painel TFT colorido de cinco polegadas com comandos retroiluminados no punho esquerdo e o controle de tração HSTC. É equipamento de gente grande num corpo de média cilindrada.

Como ela anda — impressões de quem pilotou

Subir na CB 650R e sair rodando é uma daquelas experiências que reconciliam a gente com o motociclismo. A primeira coisa que se nota é a postura: levemente inclinada para a frente, esportiva o suficiente para animar, mas sem castigar os punhos no uso diário. Ela acomoda bem, e a sensação de leveza ao tirar do cavalete surpreende para uma quatro-cilindros.

No trânsito, o E-Clutch é onde a moto mostra inteligência. Esquecer a manete em meio ao para-e-anda muda completamente a relação com o congestionamento — some aquela fadiga da mão esquerda, e a pilotagem fica mais limpa, quase intuitiva. Nas arrancadas em sinal, o sistema dosa o ponto da embreagem com uma suavidade difícil de reproduzir manualmente. Confesso que comecei o dia achando que ia ser um truque dispensável e terminei convertido.

Mas é quando a estrada abre que a CB 650R revela a alma. Abaixo de 6.000 rpm, ela é dócil, comportada, quase mansa. Aí você abre o gás, o ponteiro cruza os 7.000, 8.000 giros, e a moto se transforma: o ronco do quatro-cilindros enche o capacete, a entrega ganha urgência e dá vontade de procurar a próxima curva só para ouvir aquilo de novo. Não é a naked de torque brutal embaixo, é a de prazer em cima — e quem entende essa proposta sai sorrindo. A ciclística acompanha com firmeza, o conjunto Showa transmite confiança nas inclinações, e os freios radiais respondem com mordida precisa quando se pede.

Se há um recado honesto a deixar, é sobre expectativa: esta é uma moto que premia quem gosta de girar motor e curtir o caráter esportivo, mais do que quem busca empurrão fácil em baixa rotação. Entendido isso, ela entrega uma experiência rara no segmento — e cada vez mais difícil de encontrar.

Ficha técnica — Honda CB 650R E-Clutch 2027

ItemEspecificação
Motor4 cilindros em linha, DOHC, líquido
Cilindrada649 cm³
Potência86,7 cv a 12.000 rpm
Torque5,8 kgf.m a 9.500 rpm
Câmbio6 marchas com E-Clutch
SuspensãoShowa SFF-BP 41 mm (diant.); Showa com pré-carga (tras.)
FreiosDiscos 310 mm com pinças radiais de 4 pistões (diant.); 240 mm (tras.); ABS 2 canais
Rodas/pneus120/70 ZR17 (diant.) e 180/55 ZR17 (tras.)
EletrônicaE-Clutch, HSTC, TFT 5″, full-LED
PreçoR$ 59.560
CoresVictory Red, Pearl Caraiva Blue, Una Gray Metallic
DisponibilidadeJulho de 2026
Garantia3 anos, sem limite de km

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