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O consórcio deixou de ser coadjuvante na compra de motocicletas no Brasil. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que 35,5% das motos zero-quilômetro adquiridas entre janeiro e junho de 2026 foram pagas por meio da modalidade — ou seja, mais de um terço das novas que saíram das lojas no período. É um retrato claro de como o brasileiro tem recorrido ao planejamento de longo prazo para colocar uma moto na garagem.
Quando se olha para o mercado como um todo, somando novas e usadas, o consórcio respondeu por 27,8% das aquisições no semestre, enquanto os financiamentos ficaram com 72,2%. Entre as motocicletas seminovas, a participação da modalidade foi de 6,3%. A leitura combinada reforça que o consórcio ganha força justamente onde o comprador tem tempo para se planejar: na moto nova.
Um segmento que dobrou em cinco anos
O avanço não é de um semestre só. Segundo a ABAC, o volume de créditos comercializados para motos mais que dobrou na última meia década. No comparativo entre janeiro e abril, a modalidade saiu de R$ 5,03 bilhões em 2021 para R$ 9,64 bilhões em 2026 — expansão de 113,7%. E o ritmo segue firme: de janeiro a maio deste ano, o consórcio de motos cresceu 12,2% em negócios sobre igual período de 2025, com R$ 6,13 bilhões em créditos disponibilizados ao mercado.
O número de adesões acompanha o movimento. No primeiro semestre foram comercializadas 759,6 mil cotas de motocicletas, resultado 8,6% superior ao do ano anterior e acima da própria projeção da ABAC, que estimava alta de 7% para o segmento. No mesmo intervalo, 339,2 mil consorciados foram contemplados e receberam crédito para adquirir a moto.
Uma em cada três motos vendidas
Há um indicador que resume bem o peso da modalidade. A ABAC estima que o consórcio participou de 28,9% das motocicletas comercializadas no mercado interno no primeiro semestre — praticamente uma a cada três vendas no país. O cálculo dialoga com os dados da Fenabrave: as mais de 287 mil contemplações dos cinco primeiros meses equivalem a 29,4% das 980 mil motos emplacadas no período.
Em volume de gente, o segmento também impressiona. Em junho de 2026, os grupos de consórcio de motocicletas reuniam 3,30 milhões de participantes ativos, o equivalente a 24,7% de todo o Sistema de Consórcios — atrás apenas dos veículos leves. O sistema como um todo, aliás, atingiu recorde de 13,36 milhões de participantes ativos, alta de 12,6% sobre junho de 2025.
O motor por trás do crescimento
Parte da explicação está na transformação do mercado de trabalho. Levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) aponta mais de 2,2 milhões de profissionais ligados aos serviços de entrega no país, sendo cerca de 450 mil dedicados às entregas sobre duas rodas. Para esse público, a moto é ferramenta de renda — e o consórcio surge como caminho para adquiri-la sem o peso dos juros de um financiamento. A ABAC associa o bom desempenho justamente a esse cenário de taxas elevadas e maior cautela do consumidor na hora de contratar crédito.
O apetite se reflete no desempenho das administradoras. A Ademicon, maior administradora independente de consórcio do país em créditos ativos, registrou crescimento de 67% nas vendas de consórcios de motocicletas entre janeiro e maio de 2026. Para Adriano Bruni, diretor comercial da empresa, a modalidade atende tanto quem busca mobilidade e capacidade de trabalho no dia a dia quanto quem enxerga a moto como lazer, sempre respeitando o projeto financeiro de cada cliente.
Os números do semestre
| Indicador (1º semestre de 2026) | Dado |
|---|---|
| Motos 0km compradas via consórcio | 35,5% |
| Participação em novas + usadas | 27,8% (financiamento: 72,2%) |
| Cotas de moto comercializadas | 759,6 mil (+8,6%) |
| Consorciados contemplados | 339,2 mil |
| Participantes ativos (motos, jun/26) | 3,30 milhões (24,7% do sistema) |
| Participação estimada nas vendas internas | 28,9% (≈ 1 a cada 3) |
| Créditos comercializados (jan–abr) | Valor |
|---|---|
| 2021 | R$ 5,03 bilhões |
| 2026 | R$ 9,64 bilhões (+113,7%) |
Com o mercado de motos vindo do melhor primeiro semestre desde 2011 e a demanda por mobilidade em alta, os números da ABAC sugerem que o consórcio deve seguir como uma das principais engrenagens da compra de duas rodas no país — sobretudo enquanto o crédito tradicional continuar caro.













